O post limita-se a afirmar que “não existem mais rinocerontes brancos no planeta”. Mas importa, antes de mais, fazer uma distinção: existem duas subespécies destes exemplares, com determinadas diferenças genéticas entre si — o rinoceronte branco do sul e o rinoceronte branco do norte. É esta última subespécie, natural de regiões do norte de África, que se encontra em maior risco de extinção absoluta e podemos considerar que é a esta subespécie que a publicação se refere.

Mas estará o rinoceronte branco do norte absolutamente extinto? Por um lado, a existência de apenas dois exemplares no planeta podia ser suficiente para garantir a continuidade da espécie. Por outro lado, acontece que ambos os animais são fêmeas — Najin e Fatu, mãe e filha. A equação complica-se, mas a evolução da ciência deixa alguma esperança de que o ser humano (principal contribuinte para a frágil situação deste animal) consiga salvar a espécie. Neste momento, com apenas duas fêmeas ainda vivas, o plano passa por utilizar esperma que foi preservado para que os espermatozoides possam fecundar os óvulos. Não é, portanto, verdade que “não existam mais rinocerontes brancos no planeta”.

Publicação com informação falsa no Facebook

O último macho, de nome Sudão, morreu em 2018, já com 45 anos, mas os cientistas ainda recolheram material genético do exemplar para tentar salvaguardar a continuidade da espécie. Mas considerando que as duas fêmeas ainda vivas também já não têm condições para gerar crias de forma natural, todo o processo de fertilização será in vitro, segundo os cientistas envolvidos no processo.

Rinoceronte branco do norte. Como a ciência ainda pode garantir a sobrevivência da espécie

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Mais recentemente, os cientistas já confirmaram o sucesso da criação de embriões, que estão conservados em nitrogénio líquido, segundo relata a associação Save the Rhino. O projeto para salvar o rinoceronte-branco existe há vários anos e envolve países como a Alemanha, Quénia, Estados Unidos, República Checa ou Itália, mas a dificuldade em conseguir uma gravidez viável das fêmeas ainda vivas é um dos maiores obstáculos com que os cientistas ainda terão de se confrontar nesta missão de tentar evitar a extinção total da espécie.

Com a ajuda dos cientistas, só Najin e Fatu, as duas fêmeas, têm a hipótese de garantir a continuidade da espécie. Apesar de a pandemia da Covid-19 ter também afetado todo o processo de colheita e fertilização, atrasando por consequência a produção de novos embriões, em dezembro de 2020 foram produzidos “dois novos embriões de rinoceronte-branco do norte”, anunciou o consórcio internacional de cientistas.

Conclusão

Ainda que esteja próxima da extinção e que a continuidade da espécie já não seja possível sem a intervenção do ser humano e da ciência, é falso que já não existam exemplares de rinoceronte-branco do norte no planeta Terra. Najin e Fatu são mãe e filha e são os últimos exemplares ainda vivos, com os cientistas de vários países a estarem envolvidos num processo de tentativa de reprodução da espécie desde que o último macho morreu, em 2018.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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