No dia 13 de setembro, um utilizador do Facebook partilhou uma publicação, que se tornou viral, que demonstrava os supostos 13 “principais sintomas associados à Covid-19”, com diferentes percentagens: febre, tosse seca, dor de cabeça, olhos inchados, tosse com sangue, entre outros. Atingiu as 17,1 mil visualizações e as 493 partilhas. Trata-se, no entanto, de uma publicação falsa.

Em primeiro lugar, na tabela não aparece indicada a fonte de informação que sustente a referência às percentagens dos treze sintomas apresentados. E, ainda que seja verdade que sintomas como a febre, a tosse seca ou a fadiga possam surgir, sendo os mais comuns para quem contrai o novo coronavírus, como descrito nas diretrizes da Direção Geral da Saúde e da Organização Mundial da Saúde, o autor não explica como chegou às percentagens apresentadas. Esquecendo-se também de referir que existem doentes assintomáticos que podem nem sequer apresentar qualquer dos sintomas e ter, ainda assim, contraído o vírus.

Imagem partilhada no Facebook tornou-se viral

Ou seja, e tal como explica a DGS, “os sinais e sintomas variam em gravidade, desde a ausência de sintomas até febre (temperatura superior a 38ºC), tosse, dor de garganta, cansaço e dores musculares e, nos casos mais graves, pneumonia grave, síndrome respiratória aguda grave, septicémia, choque séptico e eventual morte”, como se lê no site oficial daquela instituição. Não é, por isso, correto dizer que os 13 sintomas apresentados na publicação são os principais da Covid-19.

Relativamente às percentagens, a DGS chegou a divulgar, nos boletins diários sobre a evolução da epidemia em Portugal, a percentagem de sintomas relativa a 80% dos casos confirmados. Por exemplo, no dia 24 de abril, existiam 36% de casos com febre, 14% com dificuldade respiratória, 24% com cefaleia, 26% com dores musculares e 20% com fraqueza generalizada. Mas estes dados eram relativos àquele dia, estando, por isso, em constante mudança. Este tipo de dados deixou, entretanto, de ser divulgado pelas autoridades de saúde.

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Além disso, a publicação mistura outros sintomas – como a tosse com sangue ou os olhos inchados – que não se encontram associados a esta doença, segundo indicam a DGS e a OMS. Aliás, o único sintoma menos comum, mas leve, ligado aos olhos, é a conjuntivite, de acordo com a OMS. O post também não refere outros sintomas, ainda que menos frequentes, mas associados à Covid-19, como a perda de paladar ou de olfato ou mesmo dor de garganta.

Covid-19, gripe e constipação. Quais são as principais diferenças? Uma tabela ajuda a distingui-las

Tal como noticiado pelo Observador no passado dia 12 de setembro, o governo da Austrália, tendo por base os dados da OMS e do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças, decidiu, este mês, esquematizar numa tabela as principais diferenças (e pontos semelhantes) entre a Covid-19, uma gripe e uma constipação. Muitos dos sintomas são semelhantes. Ou seja, só com recurso a um teste laboratorial é possível apurar se alguém está infetado ou não. Portanto, mesmo que uma pessoa apresente sintomas associados à Covid-19 – e que estão na publicação – pode não estar infetado com o vírus que causou a pandemia atual.

Nesta tabela divulgada pelo governo australiano, não se encontra sequer a “tosse com sangue” ou “olhos inchados” como sintomas que se possam manifestar em quem contrai o novo coronavírus. Por outro lado, a febre e a tosse são os únicos sintomas principais desta doença, ao contrário dos 13 registados pela publicação original.

Conclusão

Não é verdade que existam 13 sintomas principais associados ao novo coronavírus. Os três mais comuns são febre, cansaço e tosse seca, como explicado pela Direcção Geral da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde. Existem, no entanto, sintomas mais leves, mas também mais raros, como a perda de olfato ou a dor de garganta. Mas não é possível atribuir uma percentagem tal como a que é apresentada pela publicação que se tornou viral no Facebook. Mesmo assim, uma pessoa pode apresentar determinados sintomas associados ao novo coronavírus mas, sem um teste laboratorial, nunca poderá saber se está realmente infetada. Até porque doenças como a gripe ou uma constipação têm sintomas semelhantes aos da Covid-19, ainda que em graus diferentes de gravidade.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

De acordo com o sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook.

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