• 12 Setembro 2004 | Joana Cipriano, 8 anos | Assassinada pela mãe e um irmão desta. Desmembrada…
  • 6 Maio 2005 | Vanessa Filipa, 5 anos | Morreu vitima de maus-tratos às mãos do pai e da avó.
  • 5 Setembro 2005 | Daniel Carvalho, 6 anos | Espancado pelo padrasto de 16 anos até à morte, que também o violou.
  • 28 Maio 2009 | Maria João, 7 anos | Asfixiada pelo pai, com um cinto de um robe…
  • 29 Outubro 2009 | André Fernandes, 6 anos | A mãe tentou o suicídio com o André. Ele morreu afogado, ela sobreviveu…
  • 5 Abril 2010 | David Cabral, 6 meses | Esmurrado e pontapeado pelo pai…porque chorava…
  • 29 Novembro 2010 | Tiago Monteiro, 2 anos | Atirado pela mãe para uma ribeira na Serra das Minas…
  • 23 Dezembro 2012 | Henrique e Raphael, 11 meses e 3 anos | A mãe incendiou a casa onde moravam…
  • 28 Janeiro 2013 | Ruben e David, 13 e 12 anos | Envenenados pela mãe…
  • 18 Agosto 2014 | Leonor, 4 meses | Torturada, mergulhada em água a escaldar, tendo os pais, coberto depois o corpo ferido com sal…
  • 8 Abril 2015 | Henrique Barata, 5 meses | Morto pelo pai com uma facada no peito…
  • 15 Fevereiro 2016 | Samira e Viviane, 4 anos e 19 meses | Mãe atirou-as à água numa praia de Caxias…
  • 5 de Fevereiro 2019 | Lara, 2 anos | Asfixiada pelo pai, duplo homicida…
  • 7 de Maio de 2020 |Valentina, 9 anos |Torturada, espancada, assassinada pelo pai…
  • 20 de Junho de 2022 | Jéssica 3 anos | Torturada e assassinada pela ama, mãe e padrasto arguidos também por maus tratos…
  • 18 de Março de 2023 | Lara, 7 anos | Esfaqueada pelo avô…

Este artigo é para que aos seus nomes não sejam esquecidos, que estas crianças assassinadas por quem as devia proteger, torturadas por miseráveis que lhes deram o nome, nunca fiquem colocadas de parte e que fiquem nas nossas memórias para sabermos que a maldade existe,

Alguém dizia ou escreveu que quando uma criança morre assassinada falhamos todos enquanto sociedade.

Discordo totalmente! Quem falhou não foi a sociedade, pois ela é abstrata e sem rosto…quem falhou foram os pais que talvez nunca o deveriam ter sido, os vizinhos que sempre suspeitaram que havia algo menos certo, o Ministério Publico que arquivou um processo que devia ser prioritário, o senhor do café que sabia do que acontecia e nada fazia…da assistente social que minorava o que via…essas pessoas são todas elas culpadas…não a sociedade! São elas que no caso da pequena Jéssica terão de viver com a sua consciência, no caso da Valentina terão que tentar dormir com a consequência de um sorriso que deixou de existir, que foi apagado prematuramente, no caso da Leonor vão ter de a encontrar nos seus constantes pesadelos.

Revolta-me o sr. Presidente da República que devia ser o presidente de todos os portugueses, mas nunca o será destes pequenos anjos, nem da Leonor, nem do André, nem destes nomes que muito dolorosamente acima repliquei… e com tanta solidariedade do Sr. Presidente da República, com tanta condecoração dada sem sabermos muitas vezes o porque, creio que fazia sentido uma outra atenção para quem nunca terá hipótese de ser reconhecida ou condecorada. Por cada criança assassinada devia ser decretado um dia de luto nacional, afinal nunca saberemos se o Daniel não viria a ser um cientista no CERN, ou se a Maria João não iria actuar no Cirque du Soleil, ou se a Lara não seria a primeira mulher a ser Presidente desta República.

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Causa-me desconforto ver que a Assembleia da República, com tantos requerimentos, regimentos, defesas da honra, indignações não faça um minuto de silêncio por cada uma destas vitimas.

Preocupam-me os jornalistas que buscando responsabilidades, encontram nos entrevistados desculpas para a não acção… os assistentes sociais justificam-se com o excesso de trabalho, os magistrados com poucos meios, os vizinhos com a não ingerência na vida dos casais que moram ao lado, os políticos porque não “sacam” votos, mas caramba, proteger crianças, os mais fracos, não tem de ter argumentos. Não precisamos de os ter.

Todos se descartam culpando todos…

Escrevo isto porque tenho filhos, o António e o Gui, sendo que um deles, o mais novo, celebra esta semana o seu aniversário. Gostava de os proteger das noticias que levaram miúdos da idade deles a não verem o amanhã.

Dizia-lhes numa conversa, que mais importante que termos é sermos… falei-lhes também da maldade e que ela existe para muitos meninos que não chegam à idade a que eles chegarão, e que muitos outros, mesmo passando por ela, vivem-na sobrevivendo… sobrevivendo a um pai abusivo, a uma mãe que de mãe só tem o nome, a padrastos e madrastas que não sabem o que é sentir, sobrevivem porque encontram, talvez num olhar de um irmão o motivo da sua resiliência e resistência…sobrevivem porque essa é a única opção que eles tem de agarrar se quiserem sonhar… coisa que só o podem fazer quando lhes é permitido dormir em paz.

Não há famílias perfeitas, mas o ser pai ou ser mãe, vai muito para além da relação entre os dois como casal, mesmo quando o já não são.

Ser pai ou ser mãe não é só uma condição biológica…é um estatuto que ganhamos para o resto das nossas vidas…

Preocupamo-nos com o assessor que enfurecido que levou um computador para casa quando o tinha de o devolver, movemos montanhas para proteger um equipamento informático que continha informação relevante, e estas crianças? Quem se preocupou com elas?

Preocupamo-nos com o défice das nossas contas, com o PRR que não anda, com secretários de estado que são ou serão arguidos, políticos que faltam à verdade… e estas crianças? Que relevância têm na nossa história?

Cabe às famílias educar bons “homens de amanhã”, às escolas formar melhores cidadãos do futuro e aos políticos cabe criar condições para que famílias, escolas e sociedade possam cumprir com a formação de bons seres humanos.

Eu não quero um Pais que fecha os olhos quando uma criança é agredida, mas que os abre quando um político é ofendido…

Sei que a Maldade existe, como sei que existem bons pais e melhores mães…

Queria era que a maldade nunca ganhasse, e que todos nos juntássemos para lhe fazer frente.