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Política

A protecção da família em Portugal

Autor
  • Luiz Cabral de Moncada
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A família, enquanto célula principal da sociedade e berço da moral, como bem se sabe na Calábria, está mais garantida do que nunca. Nunca será esquecida pelos partidos quando no poder político.

Muita gente há que se queixa que em Portugal não se protege a família. E com razão: os abonos de família são ridículos, os descontos com as despesas familiares são irrelevantes, as vantagens fiscais das famílias numerosas são inexistentes, nos programas escolares não se valoriza a família, etc…

Mas esta constatação é apenas superficial e mesmo injusta. Não leva em conta que os principais protectores da família em Portugal são os partidos políticos que ocupam o Governo. Logo que tomam posse os Ministros desatam a nomear irmãos, cônjuges e ex-cônjuges, filhos, enteados e primos para os mais diversos lugares na Administração Central do Estado e nas empresas públicas sob o olhar rendido e benevolente do primeiro-ministro e da Assembleia da República. Não há discriminações sexistas nem étnicas. E, note-se, a noção de família é até muito alargada pois abarca parentes até ao terceiro grau e compreende consanguinidades  e afinidades. Tudo cabe no generoso regaço do Governo. O partido socialista e o partido social-democrata rivalizam nas atenções prestadas à família de cada vez que estão no Governo e mesmo outros partidos já dão mostras da atenção comovida que lhe dispensam. Quando na oposição ficam compreensivelmente impacientes, claro está, à espera de vez para lhe demostrarem o seu carinho.

Esta realidade já chegou ao corpo docente das universidades e mesmo aos cursos superiores considerados mais inacessíveis. É que, como toda a gente sabe, a ciência é hereditária e, portanto, proteger a família é velar pela ciência.

São, portanto, injustos os que se queixam da falta de protecção da família no nosso país. Pelo contrário, a família, enquanto célula principal da sociedade e berço da moral, como bem se sabe na Calábria, está mais garantida do que nunca. Não será esquecida pelo poder político.

Fica aqui a proposta de consagração legislativa de quotas obrigatórias para familiares nos lugares disponíveis da Administração, dos institutos e das empresas públicas. O único quesito será a prova da ligação familiar. Os valores da confiança e da proximidade afectiva justificam-nas abundantemente.

A opinião pública está tão habituada a esta realidade que já nem reage e, sendo necessário, até aplaude. Estamos no bom caminho.

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