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Não se vive sem comunicar, sem refletir, sem projetar a vida, sem ouvir os outros, sem interpretar vivências e ligar conhecimentos. Precisamos de tudo isto e muito mais para chegarmos onde temos que chegar.

A progressão profissional depende cada vez mais da qualidade da comunicação e das competências relacionais. A formação técnica continua a ser um “have to have”, mas a capacidade de colaborar e de fazer equipa, de encorajar e dar feedback, para citar apenas os exemplos mais comuns, tornou-se igualmente vital.

As empresas passaram a valorizar extraordinariamente as “human skills” e nas entrevistas de emprego a comunicação tornou-se quase uma questão de vida ou de morte. Entre dezenas ou centenas de candidatos com CV parecidos e experiências muito próximas, o que verdadeiramente os distingue é a forma mais ou menos autêntica como comunicam e falam de si.

A autenticidade é sempre diferenciadora e importa sublinhar porquê. Desde logo, porque quem contrata gosta de saber exatamente com quem passa a contar, em quem está a apostar, e, nesta lógica, a lendária máxima “what you see is what you get” ganha uma relevância total.

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Mas de que autenticidade estamos a falar? E quais os artificialismos a evitar? A marca individual é tanto mais forte quanto mais genuína for. Mas, insisto, de que verdade se trata em contexto profissional? E, em ano de eleições autárquicas, não resisto a abrir um parêntesis para estender este mesmo contexto profissional aos cidadãos e políticos que se candidatam e podem ser “contratados” através do voto de confiança dos eleitores, que tal como os empregadores também os avaliam pelo que dizem e fazem, quando expõem as suas ideias e convicções.

A autenticidade que marca e faz a diferença é a que revela coerência e transparência. Coerência de pensamento e na atuação; transparência na forma como se comunicam convicções e ações. A franqueza nem sempre é valorizada, sobretudo se nos mantivermos no campo minado da política, mas em muitos outros contextos profissionais faz toda a diferença, no sentido de sabermos com quem contamos. Aliás, é justamente por isso que devia ser mais cultivada pelos políticos, pois é fundamental saber com quem contamos.

Quanto aos artificialismos, conhecemos bem demais o pior e mais daninho de todos: dizer o que os outros querem ouvir. Sabemos que todos os populismos se alimentam desta velha tática, mas numa escala individual, também nós escorregamos facilmente para este plano inclinado sempre que não acautelamos a nossa própria autenticidade. Dizer numa entrevista de emprego aquilo que o entrevistador espera ouvir, em vez de validar aquilo que é genuinamente nosso, é um erro crasso. Mas é, também, um expediente recorrente.

De que serve a uma empresa contratar alguém que faz o que não diz, diz o que não pensa e acredita no que não confessa? E que adianta a um político mascarar as suas intenções ou tentar iludir as suas convicções? Num e noutro caso, todos saímos a perder. A empresa, porque vai apostar na pessoa errada; a pessoa, porque vai ter que parecer o que não é; o político, porque no fim do dia também não acredita naquilo que diz; e os que confiam,porque mais cedo do que tarde se sentirão enganados.

O oposto da autenticidade é sempre o artificialismo. Assim como sentimos estranheza ou desconforto perante um mentiroso, um dissimulado ou um manipulador, também a veracidade é extraordinariamente iluminante e confortante. Os adeptos das falsidades e das meias verdades, tanto nas empresas como na política, podem confundir-nos durante algum tempo, mas não nos conseguem enganar o tempo todo.