Estes actos terroristas como em Nice irão acontecer mais vezes enquanto os políticos não quiserem compreenderem que a luta contra o terrorismo tem que começar na sua origem: Síria, Iraque, Afeganistão, etc. Enquanto esses e outros conflitos não forem resolvidos, o combate ao terrorismo será um combate contra moinhos de vento.

É também necessário analisar a sério os elos fracos da política de segurança, que erros no sistema permitiram mais esta mortandade. Falta de troca de informações? Desprezo por sinais de que algo se estava a preparar?

Entretanto, para minimizar os estragos futuros é preciso ter consciência de que o terrorismo exige um combate cada vez mais preventivo e móvel por parte das forças de segurança, começando pelo congelamento de todas as contas bancárias e de outros meios que possam alimentar os terroristas; aumento do número e de preparação de elementos a infiltrar nas redes terroristas (elementos esses que podem ser recrutados entre os imigrantes integrados), pelo controlo das páginas jihadistas nas redes sociais, pelo controlo do tráfico de armas e explosivos.

É preciso também encontrar novas formas de integrar as comunidades muçulmanas nas sociedades europeias, se o que foi feito até agora falhou. Sem isto, a luta contra o jihadismo será infrutífera, pois muitos dos seus membros são aí recrutados.

Este ataque em Nice ocorreu após uma forte mobilização das forças policiais para o Euro 2016 e pode ter havido algum “relaxamento” por parte dos serviços de segurança depois de uma operação extenuante, mas bem-sucedida. Normalmente, os terroristas não atacam quando há mobilização total das forças de segurança. Claro que o estado de emergência ainda estava em vigor, mas… Nestes casos, a mobilidade dos terroristas é maior do que a polícia.

Os ataques terroristas não visam apenas matar pessoas, mas lançar o pânico e destruir ramos inteiros da economia dos países, neste caso o turismo, importantíssimo para França. Isto já foi feito na Tunísia, Egipto, parcialmente na Turquia.

O ataque do dia 14 de Julho visou humilhar a França, pois realizou-se no seu dia nacional, que começou com uma parada militar bonita em Paris e terminou com a tragédia de Nice. Posso estar enganado, mas acho que é melhor fazer paradas menos pomposas e investir mais meios no combate ao terrorismo. É uma questão de prioridades.

No lugar de discutir sanções, sançõezinhas e sançonetas, a União Europeia deve centrar as suas atenções em problemas como o terrorismo. Até poderão estar a fazer muita coisa nesse sentido, pois o combate ao terrorismo não requer publicidade, mas o facto é que os actos de terrorismo aumentam e os problemas agravam-se.

E para terminar, é fundamental a cooperação entre Estados Unidos, União Europeia e Rússia para pôr fim a este problema, a bem de todos. Sabe-se de onde bem o mal, tentem tratá-lo na origem. Não podemos deixar ceder no que respeita à defesa dos nossos princípios civilizacionais, porque, se damos um dedo, levam-nos o braço, etc…

P.S. Deixo aqui a minha homenagem aos inocentes mortos e feridos.