Às quartas-feiras esperava pela meia-noite. Um pouco depois, selecionava no canto superior esquerdo do ecrã Secções. Surgia a lista. Clicava na Opinião. Porque, às vezes, nem sempre, Paulo Tunhas enviava o texto mais cedo e eu gostava de o ler de véspera – assim como se fosse à revelia do meu querido Agostinho da Silva e do seu acordar de véspera europeu. O acerto lógico da análise, o humor e o cimento da cultura com que Paulo Tunhas ligava os textos faziam-nos relojoaria fina, alegria da leitura – sou escritora, tenho o prazer da leitura no alto da hierarquia das bondades quotidianas. Não houve ainda uma quinta-feira em que não lhe sentisse a falta, aqui.

O mesmo acordar de véspera acontece sempre para ler Jaime Nogueira Pinto, mas por razões diferentes: em cada texto, uma lição quase encantatória nos detalhes da história com que nos prende a atenção. Até discordar ideologicamente de Jaime Nogueira Pinto se tornou um exercício de cardio-fitness: faz-me estudar, e isso, toda a gente sabe, previne arritmias políticas. Bem sei que não têm lugar aqui, mas e os imperdíveis Radicais Livres?

A imprensa, portuguesa e estrangeira, tem sido uma escola para mim – se enunciasse todos os que leio e a quem sou grata, como aos supracitados, não faria um texto, faria só uma lista: dela aprendi o excesso, a falta e a moderação. Esta última é para mim uma virtude – mal estimada por muitos e cada vez mais numerosos. Ao lado do bom senso, tem vindo a ser arrumada na prateleira das inutilidades. É pena. Ouvir, ler o que não pensamos nem saberíamos pensar, e depois debatê-lo é uma experiência de alteridade e só a partir dela se pode negociar o compromisso. No grande acontecimento como na pequena decisão. O bem comum.

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