Crescimento Económico

Feliz Ano Novo! /premium

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O Brexit e a instabilidade permanente da cena internacional, desde os Estados Unidos à Rússia e ao Brasil, já dificilmente serão compensados pelo turismo e pela especulação imobiliária em Portugal.

Os cientistas sociais que se dedicam a estudar as atitudes e comportamentos da população perante o desenvolvimento da economia sabem que os inquiridos têm tendência para prever uma situação familiar melhor para eles do que para o conjunto do país, o que na maioria dos casos tem pouca viabilidade de se verificar. Já os economistas que estudam as últimas estatísticas e fazem previsões para o futuro próximo, passam por cima das expectativas pessoais mas, em compensação, retratam com bastante fidelidade aquilo que se passou e o que se vai passar no futuro próximo.

Ora, os «links» abaixo permitem-nos perguntar onde é que o actual primeiro-ministro foi buscar a ideia de que Portugal teria crescido nos seus três anos de governação acima da média europeia e muito menos em 2019, quando Portugal será o terceiro a contar do fim em matéria de crescimento na UE.

Não é que o impacto da situação económica tenha obrigatoriamente um impacto directo e proporcional nas eleições em geral e, concretamente, nas deste ano. Positivo para o governo e para os seus aliados da «geringonça» só o será na aparência pois, comparativamente à grande maioria dos outros países da UE, Portugal cresceu menos. Pelo seu lado, o novo líder do PSD, Rui Rio, continua a fazer confusões tais quanto ao seu posicionamento no tabuleiro partidário relativamente ao PS e ao CDS, que só este último poderá tirar alguma vantagem da queda do crescimento económico abaixo de 2% pelo terceiro ano consecutivo.

Há, no entanto, outros factores em jogo, segundo as diversas eleições previstas (Europeias em 26 de Maio e Legislativas em 22 de Setembro, além das eleições regionais da Madeira no mesmo dia que as Legislativas). As eleições para o Parlamento Europeu serão, seguramente, desprezadas pela grande maioria dos portugueses, como tem sucedido no passado. Há quatro anos abstiveram-se dois-terços dos eleitores e, desta vez, é provável que surjam novas manifestações de antieuropeísmo, incluindo da parte do PCP e do BE. Por maiores que sejam as promessas do PS a nível europeu, vizinhas dos «manifestos de intelectuais» que começam a aparecer, não é de crer que elas mobilizem o seu eleitorado. Fica, pois, um grande ponto de interrogação até Setembro depois da provável vitória do Partido Popular Europeu e o aumento dos antieuropeístas em Maio.

Não será daí, portanto, que o PS tirará forças para Setembro. Entretanto, os satélites do actual governo, procurarão por toda a maneira diferenciar-se do PS e evitar hemorragias para «o partido à sua direita». Excluindo os eventos imprevisíveis que não deixarão de ocorrer até às legislativas, o furo mais evidente na roda da «geringonça são as greves incontinentes do PCP e das organizações corporativas, como os funcionários públicos das escolas, dos hospitais, dos transportes, etc., greves essa de que a população está farta! Se o governo não paga, o PS não recebe os votos; e se paga, é a economia que se ressente, para não falar do aperto que viria certamente por parte de uma zona euro que não pretende injectar mais balões de dinheiro.

O Brexit e a instabilidade permanente da cena internacional, desde os Estados Unidos à Rússia e ao Brasil, para não evocar os fumos de guerra e de terrorismo que se temem em todo o lado, já dificilmente serão compensados pelo turismo e pela especulação imobiliária em Portugal. O próprio facto de o crédito bancário ao consumo continuar a jorrar como no tempo da bancarrota iminente da década passada só minará os fundamentos da economia produtiva, bem como da cotação internacional do país, que continua a ter uma das maiores dívidas do mundo em percentagem do PIB.

É hoje notório, ao cabo de três anos de «geringonça», que a continuação das manobras do Ministério das Finanças para conter essa dívida já levou à crise de serviços públicos tão decisivos do ponto de vista sócio-demográfico como a saúde. Pouco faltará para mais um desastre assim como nos transportes. Quanto à instrução pública é o que se sabe: promessas absurdas e resultados pífios, como as organizações internacionais salientam. Acabada a «pausa natalícia», o sentimento de preocupação generalizar-se-á e cada vez menos pessoas acreditarão nas obras públicas anunciadas em catadupa. Entretanto, com a saída da antiga Provedora de Justiça e com a mudança de juiz do processo, podemos estar certos que Sócrates e companhia não serão julgados tão cedo. Até lá, o tempo será longo para os partidos. Só um resultado é certo: não existem hoje forças políticas que garantam as mudanças de que o país precisa para sair do atoleiro em que está.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

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