Mais tarde ou mais cedo vai acontecer, mas sempre que antecipamos a possibilidade de haver mortes na estrada provocadas por pessoas que passaram a conduzir veículos sem volante, corremos o risco de sermos considerados profetas da desgraça. Se, pelo contrário, ficarmos calados até os acidentes fazerem vítimas, podemos ser considerados negligentes.

Hoje escrevo sobre uma cena real que se passou ontem de manhã na Rua Castilho, em Lisboa. Tal como um filme que passa numa tela, a cena desenrolou-se a toda a largura do vidro da frente do meu carro, ao longo de toda a subida. Um rapaz novo, de jeans cinzentos e t-shirt verde, porte atlético e cara coberta por um lenço para se proteger da poluição, mas acima de tudo dos escapes diretos, ia montado num skate original que não precisava da sua pedalada para se mover.

Consciente da originalidade do seu veículo, o rapaz parecia feliz por poder chegar aos semáforos quase ao mesmo tempo que os carros que ocupavam a faixa ao seu lado. Leram bem, o rapaz ia numa das faixas de rodagem, como se guiasse um carro. Não guiava carro nenhum e tanto ia em posição vertical, a controlar manualmente o seu brinquedo elétrico, como se agachava no skate e desaparecia da vista dos condutores.

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