Aproximamo-nos de um Natal diferente, em que os afetos convidam ao cuidado e em que os valores nos convocam à solidariedade. Esse Natal de afetos e valores é uma mensagem que podemos todos partilhar, tal como a esperança que a administração das vacinas e a recuperação económica venham trazer alguma normalidade às nossas vidas

É em momentos difíceis como estes, de trágica perda de vida humana e de duros constrangimentos económicos, que se define o caráter de uma sociedade. A nossa tem demonstrado os seus valores humanistas, priorizando a proteção do emprego e dos rendimentos, o apoio responsável às empresas e o investimento no SNS.

Agora que perspectivamos a luz ao fundo do túnel, está na altura de projetar o futuro. Portugal tem-se vindo a preparar para os grandes investimentos que a Europa potenciará e para a enorme responsabilidade de, com eles, superar os bloqueios estruturais que prendem o nosso desenvolvimento como país.

Na Juventude Socialista, queremos discutir não só investimentos, mas também grandes reformas. Foi dessas reformas que falámos no Congresso Nacional da JS há pouco mais de uma semana e no qual tive muita honra em ser eleito Secretário-Geral.

Percebemos que foi um congresso que a muitos interessou – nomeadamente a quem quer construir uma narrativa de uma esquerda “extremada”.

Da nossa parte, estamos tranquilos. Não será agora que vamos começar a condicionar-nos pela conveniência ou sensibilidades políticas de alguns. Como disse então, aos cínicos, aos conservadores, aos velhos do Restelo, que nos tentam reduzir a chavões, respondemos com a nossa ação, realista mas transformadora, porque o mundo e o país apenas se melhoraram com ação resoluta e com uma visão ousada.

É isto recuperar dogmas do PREC? Se o é, também o faz o Financial Times, a Economist e tantas outras figuras de “referência”. Mas não considero que o seja. Trata-se de lutar pela liberdade de realizarmos os nossos projetos de vida, pela justiça de cada um ter o que merece. Porque, sinceramente, não é preciso ser de esquerda para reconhecer que a meritocracia está posta em causa por mercados desregrados, desiguais e devastadores do nosso planeta. Ou seja, nem dogmas do PREC, nem dogmas de mercado.

Para que o mercado seja justo e eficiente, é preciso um Estado não só a regular, mas a investir e apoiar, capaz de superar a miopia do curto prazo, dos interesses particulares, da lógica pura do lucro financeiro. É preciso apoiar a inovação e a digitalização, assegurar que as pessoas têm saúde e qualificações, que temos infraestruturas que nos liguem ao mundo e que preservamos um mundo com oportunidades para gerações futuras. Claro que nada disto pode ser visto apenas de forma instrumental. Antes de tudo o mais, e venha o que vier, é uma questão de ser uma sociedade decente.

Reconhecer o papel do Estado Social, da igualdade em ativar a livre iniciativa privada de todos, é um eixo identitário para os socialistas mas é também teoria e prática económica, com boas provas dadas. Seria mais fácil anular a nossa identidade, como tantos socialistas por todo mundo nas últimas décadas. Evitava certas caricaturas. Porém, é mesmo dessa política sem convicções de que as pessoas estão tão fartas e de que se alimentam os populismos.

Neste Ano Novo, importa ressuscitar a esperança numa política honesta, que faça a diferença nas nossas vidas. Temos quem o queira fazer promovendo o ódio, prometendo confinar etnias, expiando os problemas da sociedade nos mais frágeis. Infelizmente, é uma franja cada vez mais normalizada por quem vê neles mão amiga em quem se podem apoiar para governar.

Não pode ser esse o caminho para a nossa geração, como não o foi a austeridade ou a precariedade de crises anteriores. Perante um ensino superior que muitos não conseguem pagar, salários baixos e rendas altas, enquanto os nossos trabalhos não nos dão nem estabilidade nem tempo para desligar, não seremos uma geração livre nem um país que se possa realizar.

É para cumprir os sonhos de uma geração e a promessa de um país, que na Juventude Socialista lutamos. Esta geração que nasceu na década de 90 e no início dos anos 2000 não é perigosa, estalinista, dogmática ou extremada. Recusamos ser comentadores de café ou de sofá. Somos uma geração que quer transformar o mundo por nossas mãos e, perante crises que vão marcar permanentemente as nossas vidas, não tem tempo a perder. Não temos, por isso, dúvidas – é este o nosso Tempo de Agir!