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Deve ter sido por volta de 1949, numa palestra radiofónica, que o capitão Jorge Botelho Moniz avançou esta tese (cito de memória): se em 1910 já houvesse um campeonato de futebol, como havia nos anos 40, nunca teria acontecido a revolução republicana em Lisboa. O seu raciocínio era este: em 1910, o republicanismo na capital arrastava para comícios, discussões e zaragatas o tipo de pessoas – caixeiros do comércio, trabalhadores das oficinas e serviços urbanos, empregados de escritório, etc. – que, trinta anos depois, iam aos estádios e discutiam e brigavam, não por causa da monarquia e da república, mas por causa do Benfica e do Sporting.

Esta teoria seria perfilhada muito seriamente pela oposição anti-salazarista, que sempre viu no futebol, ao lado do fado e de Fátima (os três F), um dos instrumentos da ditadura para distrair as massas dos seus deveres revolucionários. A multidão lisboeta que a 1 de Maio de 1974 saiu à rua a vitoriar o MFA, ainda umas semanas antes, a 31 de Março, festejara entusiasticamente Marcello Caetano no estádio de Alvalade, durante um Sporting-Benfica. Tinha sido preciso um golpe militar para quebrar o encanto.

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