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No dia 5 de Julho da semana passada,Nuno Garoupa escreveu mais um estimulante artigo de opinião. Nele goza com a ideia de que a performance económica de Portugal nos últimos anos corresponda a qualquer milagre económico e chama a atenção para o facto de estarmos a ser ultrapassados por vários países que há alguns anos estavam bem mais atrasado do que nós. Também aqui, no Observador, José Manuel Fernandes se queixou há dois dias de que estamos a ser ultrapassados por vários países e de que ninguém fala disso.

Têm razão nas suas queixas. Muitas vezes, o debate sobre a espuma dos dias ocupa-nos demasiado tempo e têm também razão quando chamam a atenção para a mediocridade do nosso crescimento dos últimos anos. Se é verdade que ainda há bem pouco tempo se andava a celebrar o brutal crescimento económico português, com Marcelo Rebelo de Sousa a anunciar no ano passado que podíamos ter taxas de crescimento superiores a 3%, também é verdade que houve alguns economistas a chamar a atenção para que o crescimento elevado do ano passado podia não ser mais do que uma mera reversão para a média e que ainda era cedo para se embandeirar em arco.

Os últimos números conhecidos, bem como as últimas previsões para os anos mais próximos, parecem confirmar que Portugal está a regressar ao crescimento medíocre que o tem caracterizado desde o ano 2000. Quer isto dizer que, nem as “reformas estruturais” do anterior governo parecem ter surtido qualquer efeito relevante — ressalvo aqui a questão do mercado de trabalho, que, de facto, tem tido uma evolução extraordinária —, nem o actual governo parece ser capaz de descobrir a pólvora. Fica a ideia de que o principal mérito destes dois governos é mesmo o de conseguirem controlar as contas públicas, condição necessária para haver crescimento sustentável, mas, como se vê, condição insuficiente também.

Respondendo ao repto de Nuno Garoupa, comecei por ensaiar uma explicação para o facto de Portugal estar a ser ultrapassado por quase todos os países da União Europeia — valha-nos a Grécia. A minha explicação preferida é relativamente simples: grande parte do nosso atraso tem que ver com o atraso na nossa educação. Comparando Portugal com qualquer país da União Europeia, rapidamente descobrimos que temos níveis de escolaridade inusitadamente baixos. No gráfico seguinte, usando os dados sobre educação de Barro e Lee, podemos ver a escolaridade média (em anos) da população com mais de 25 anos em todos os países da União Europeia. Como o grande alargamento a Leste se deu em 2004, olho para dados de 2005 (o ano disponível mais próximo). Portugal está destacado a vermelho, para ser fácil de encontrar.

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