Já tudo terá sido dito sobre o feliz 30º aniversário da queda do Muro de Berlim, a 9 de Novembro de 1989, celebrado no sábado passado. Talvez não seja todavia excessivo insistir num dos maiores mistérios do século XX: por que motivo a moda intelectual do século XX foi o apoio ao despotismo comunista, em nome de ideais elevados como “liberdade, igualdade, fraternidade”?

O tema é naturalmente muito vasto e não pode ser convenientemente resumido neste espaço. Mas podem aqui ser lembrados alguns ingredientes do “ópio dos intelectuais”, como lhe chamou certeiramente Raymond Aron. No centro desse ópio dos intelectuais esteve o culto da igualdade de resultados (em contraste com a igualdade perante a lei) e o ódio à propriedade privada.

Antes de Marx, terá sido Rousseau um dos principais promotores da moderna moda intelectual do culto da igualdade de resultados. Foi ele que enfaticamente atribuiu todas as infelicidades humanas à desigualdade material entre as pessoas. E atribuiu a origem desta desigualdade à “invenção” da propriedade privada. Aqui começou a moda intelectual de declarar a abolição da propriedade privada como condição para atingir a igualdade.

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