Perante a realização de buscas na residência do primeiro-ministro e a detenção do seu chefe de gabinete Vítor Escária e do seu consultor e amigo próximo Diogo Lacerda Machado por suspeitas de crimes de tráfico de influência e corrupção associados a negócios em lítio e hidrogénio, António Costa tomou a opção mais sensata, que foi apresentar a sua demissão, saindo pelo próprio pé da liderança do Governo. Fez bem porque este caso, ao contrário dos anteriores, envolve directamente o primeiro-ministro.

Perante esta situação, colocam-se dois cenários ao Presidente da República: nomear um novo Governo no contexto da actual maioria absoluta do PS ou dissolver o parlamento avançando para eleições antecipadas. Face à gravidade da situação e ao desgaste governamental, a segunda opção parece objectivamente a mais lógica. Mais ainda se considerarmos que Marcelo Rebelo de Sousa associou explicitamente a maioria absoluta à figura de António Costa enfatizando que os eleitores optaram por “dar a maioria absoluta a um partido” mas “também a um homem” e que as grandes vitórias carregam responsabilidades especiais “inevitavelmente pessoais e intencionalmente personalizadas“:

Agora que ganhou, e ganhou por quatro anos e meio, tenho a certeza de que Vossa Excelência sabe que não será politicamente fácil que essa cara que venceu de forma incontestável e notável as eleições possa ser substituída por outra a meio do caminho. Já não era fácil no dia 30 de janeiro, tornou-se ainda mais difícil depois do dia 24 de fevereiro [início do ataque da Rússia à Ucrânia].”

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