A liberdade é essa capacidade de fazer um início (…) de começar algo completamente novo”. (Hannah Arendt)

No meio das chamas de um conflito que parece não ter fim, somos, mais uma vez, desafiados a refletir sobre a postura ética e moral que as nossas sociedades e os seus protagonistas assumem face aos atos bárbaros que testemunhámos no último 7 de Outubro. Para muitos, os atentados aleatórios e bárbaros a pessoas que pacificamente viviam as suas vidas, nas suas casas ou kibutzes, em festivais de música, muitos ainda na idade da inocência, continuam a ter de ser “contextualizados” ou igualados em perspetiva histórica. Em vez de se assumir, sem reservas, que estamos perante um choque civilizacional entre aqueles que se mantêm ancorados numa visão pré-moderna do mundo e aqueles que, apesar das adversidades e fragilidades, tentam avançar para um futuro mais justo e plural.

Lamentavelmente, nem todos conseguem ver a distinção evidente entre uma democracia estabelecida que, mesmo com as suas falhas, opera sob o império da lei, e a brutalidade de um grupo que ataca civis indiscriminadamente. Israel é, hoje, uma sociedade plural, com todas as forças e fragilidades de uma democracia liberal. Em Israel vivem milhões de árabes, que inclusive estão organizados politicamente, e que têm os seus direitos assegurados. Uma larga maioria da população israelita está hoje preparada para aceitar um Estado Palestiniano, desde que o compromisso e governação dos seus vizinhos renegue ao que é o desígnio de grupos como o Hamas, que aspiram à destruição do Estado de Israel – com todas as consequências que isso implica em termos de genocídio do seu povo. É preocupante como em tantos setores das sociedades ocidentais ainda há gente, por cegueira ideológica, a negar o óbvio e defender que o Hamas é um “movimento social progressista”, mesmo quando esse grupo comete atrocidades que contradizem os princípios mais básicos dos direitos humanos.

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