Em véspera de eleições, este é um manifesto – diria mesmo, um apelo – pela clareza, pela honestidade intelectual e pelo pragmatismo, a bem de todos os portugueses.

Este é um apelo em tempos de campanha eleitoral, onde abunda a confusão e o ruído e onde campeia a demagogia, as propostas irrealistas, a generosidade irresponsável e as boas intenções à esquerda e à direita. Deste contexto resulta, como se tem constatado pela profusão de exercícios de imaginação dos comentadores televisivos, uma paleta de putativas coligações pós-eleitorais que, cavalgando o já lendário talento malabarista de António Costa, pode desembocar em governos, em políticas e em rumos totalmente imprevisíveis e contraditórios – sem nenhum rumo nem objectivo para lá da auto-sobrevivência.

É por isso que venho, singelamente, apelar ao fim da incerteza que aquela geometria variável comporta. Não quero um Governo refém do arrivismo do PAN, nem dos impulsos revolucionários do PCP, nem do Bloco de Esquerda criador de impostos em catadupa.

Vou, pois, dizer o que quero: quero um PS a governar sozinho. Isso mesmo, leram bem – um PS a governar sozinho, livre e desamarrado, onde a imaginação será o limite.

Quero a grande famiglia socialista a controlar os destinos do país sem limites, sem constrangimentos e sem concessões a ninguém nem a nada.

Quero que governem sem ter de comer tofu, por imposição do PAN, sem ter de fazer fretes aos sindicatos, a reboque do PCP, e sem ter de ir atrás dos temas fracturantes do momento por pressão das tácticas mass media do Bloco de Esquerda.

Quero um Partido Socialista motivado, empenhado, entusiasmado e que não tenha um timoneiro aborrecido ou amuado por ter de negociar a regionalização (ou, na verdade, qualquer outra coisa) com Rui Rio ou com outros.

O melhor é, efectivamente, entronizarmos um António Costa uber alles, livre de limitações e responsável único e último pela política deste país. Para isso, é necessário eleger um PS que não possa alegar quaisquer desculpas nem alibis para os resultados da governação e sobretudo um PS que se defina:

  • A favor ou contra o mercado?
  • A favor ou contra as empresas?
  • A favor ou contra as bolsas de horas?
  • A favor ou contra a burocracia e os custos de contexto?
  • A aumentar ou a diminuir a carga fiscal?
  • A apostar ou a congelar o investimento público?
  • A aumentar ou a reduzir o estado social?
  • A reforçar ou a deteriorar a qualidade dos serviços públicos?
  • A melhorar ou a piorar o acesso à saúde, à justiça e à educação? A permitir ou a impedir o funcionamento de um Serviço Nacional de Saúde eficiente e articulado com o sector privado?

Sim. O que defendo é um PS claro, com identidade própria e em roda livre. E sim. Sei os riscos que isso comporta.

Um Governo de amigos e primos e uma máquina estatal a crescer e recheada de boys; o desmesurado polvo socialista a exercer pressão sobre a comunicação social e sempre com a tentação de amordaçar a justiça; um novo patamar de promiscuidade entre o Estado e toda a imensa clientela subserviente do PS; maior autoritarismo do primeiro-ministro e demais compagnons, garantindo que quem se mete com o PS leva e leva mais que nunca. E até mais adjudicações de golas anti-fogo inflamáveis.

Mas no fim vamos poder saber a quem pedir contas.