Estilo de Vida

Viver ou não viver em modo light /premium

Autor
  • Teresa Espassandim

Continuarei assim a encontrar-me com as Carolinas e os Hugos que na fluidez das suas vidas tiveram de desacelerar e ancorar e, por uns tempos, não ir na corrente até saberem para onde e como querem ir

Não sei precisar quando foi a primeira vez que vi publicidade a alimentos light, mas creio que terá sido antes da era Google, portanto antes de 1998. Num ápice, o mercado passou a disponibilizar-nos um sem número de produtos com redução de alguns dos seus componentes como gordura, carboidratos ou calorias e ampliou a sua influência bombardeando-nos com mensagens e filosofias de vida supostamente mais saudáveis.

Claro que o mercado faz vista grossa, aliás até rejubila, com o facto de o nível de literacia dos consumidores ser muito baixo no que à compreensão deste tipo de informação e à adoção de comportamentos promotores de saúde diz respeito. Bom, talvez não seja apenas o mercado que tape os ouvidos, os olhos e a boca… Os próprios deputados da Assembleia da República reprovaram propostas de lei com vista à redução do sal nos alimentos!

Mas o conceito light estendeu-se, até porque o tempo de “modernidade líquida” (Bauman, Z. 2000) que vivemos alimenta a narrativa da insegurança e do consumo em que o indivíduo é solitário no seu projecto de vida e toda a ênfase e responsabilidade é colocada em si, na construção ou na escolha de normas a seguir.

Tudo parece resumir-se a escolher a melhor opção, com mais benefícios e vantagens e, se possível, com zero desvantagens. Assim como se zero % de gordura na vida é que fosse o ideal! Lutar livremente por nossa conta e risco parece ser o desígnio nesta sociedade cada vez mais selectiva económica e socialmente. Acontece que o ser humano enquanto espécie, tudo faz para “poupar a sua energia” (até porque nunca se sabe o dia de amanhã e podemos precisar de fugir de algum predador – leia-se enfrentar algum acontecimento de vida desafiante) e também o evitar do aborrecimento (e do sofrimento) e, por isso, necessita de “simplificadores” dos processos de tomada de decisão.

Veja-se, a título de exemplos, o papel dos bloggers, dos instagramers, dos youtubers na nossa opção por determinados produtos, por certos livros e música, por algumas opiniões, por uma definida imagem e padrão de beleza… Como seria a nossa vida hoje se tivéssemos de explorar todas as possibilidades e compará-las entre si para depois nos decidirmos? É que o volume de informação disponível não tem paralelo com o de qualquer outro momento da história da humanidade. Por isso existem os “mediadores” entre nós e a informação, que fazem esse hercúleo trabalho de recolha, selecção e de comunicação. Por isso agradecemos, prescindindo tantas e tantas vezes de gastar energia em pensar criticamente sobre o que observamos e vivemos, de questionar, de discutir, de participar, de decidir. Não são tão mais agradáveis os momentos de felicidade, em que respiramos despreocupadamente sem qualquer enrugar da testa? Mas para que raio ainda existem emoções negativas? Venha já uma qualquer evolução tecnológica que as suprima! Porque é que viver requer ainda assim tanto esforço?

E por isso vamos cada vez mais pairando, vivendo em modo light até que algo nos sobressalta, nos sacode dos automatismos e nos interpela a reflectir sobre o sentido da vida, dos sintomas, das decisões pouco escolhidas, dos sucedidos…

E por isso continuarei a encontrar-me com as Carolinas e com os Hugos [nomes fictícios] que na fluidez das suas vidas, tiveram de desacelerar e ancorar e, por uns tempos, não ir na corrente até saberem para onde e como querem ir.

Psicóloga Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde, Psicologia da Educação, Psicoterapia e Psicologia Vocacional e do Desenvolvimento da Carreira

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