Explicador

SIRESP volta a falhar. Como funciona este sistema de emergência que falha nas catástrofes?

Junho 201722 Junho 2017437
Pedro Rainho

Como funciona?

Pergunta 2 de 11

A rede SIRESP tem, atualmente, cerca de 550 antenas fixas espalhadas pelo território nacional, incluindo regiões autónomas. Essas redes são a garantia de que os rádios do sistema, distribuídos pelas várias entidades que usam o SIRESP, podem comunicar entre si, sem constrangimentos geográficos e independentemente da distância a que se encontrem.

Esta rede segue um modelo de funcionamento muito semelhante ao usado nas telecomunicações “civis”, isto é, à exceção de algumas características de maior resiliência (resistência a eventuais problemas técnicos), as comunicações via SIRESP funcionam como as de qualquer telemóvel.

As antenas fixas recebem e emitem sinais de comunicações e que estão ligadas a um computador (o “cérebro” do sistema), que reencaminha esse sinal para os aparelhos móveis: os walkie-talkies que estão colocados nas ambulâncias, nas motas das forças de segurança ou que andam na mão dos bombeiros que coordenam as operações de combate aos incêndios, para dar alguns exemplos.

Há, no entanto, duas diferenças em relação às redes que suportam a comunicação dos telemóveis: a primeira, já referida, tem que ver com a própria tecnologia, em que os telemóveis dão lugar aos rádios; a segunda, mais técnica, diz respeito à tal capacidade de resiliência deste sistema.

O que é que isto significa? Quando uma “antena de telemóvel” ou os cabos deste sistema são destruídos pelas chamas, as comunicações deixam de ser possíveis, os telemóveis perdem sinal esse o sinal só é retomado quando aqueles componentes são reparados.

No caso do SIRESP, isso não acontece. Mesmo quando estes equipamentos de transmissão são destruídos – recetores e transmissores, como terá acontecido em Pedrógão Grande –, os próprios aparelhos conseguem assegurar a comunicação entre si, pela capacidade que têm de atuar como repetidores.

Problema: esta capacidade de “repetir” o sinal só consegue dar um “salto”. Significa que, no máximo, só é possível estabelecer contacto entre dois rádios que estejam afastados entre si até cerca de 20 quilómetros (em média, uma vez que esta capacidade depende muito do tipo de terreno em questão, mais plano ou mais montanhoso), com um terceiro rádio pelo meio a fazer de “retransmissor”. Isto, porque, quando as antenas deixam de funcionar, deixa também de poder realizar-se a comunicação entre os operacionais no terreno e o comando central ou mesmo os superiores hierárquicos – que recorrem a diferentes antenas, uma em Coimbra e outra no Porto, por exemplo. Ainda assim, todos os rádios a operar no terreno, e que estejam registados naquela antena, continuam a poder comunicar entre si.

A solução, nestes casos, passa por colocar uma antena móvel no local em que a antena fixa foi destruída, para que aquela assegure o sinal total até a reparação do equipamento estar concluída. Neste momento, existem, em teoria, quatro antenas móveis – duas ao serviço da Proteção Civil, uma com a GNR e outra com a PSP.

A questão, que a revista Exame Informática concretizou num artigo publicado esta semana, é que estes equipamentos não estarão todos operacionais. De acordo com a revista, apenas uma dessas quatro antenas móveis – literalmente, uma antena colocada numa carrinha que se desloca onde for preciso para assegurar o sinal – estaria operacional, nomeadamente a da PSP; a da GNR está a ser reparada depois de ter sofrido danos na operação de segurança da visita do Papa Francisco a Fátima e as outras duas antenas ainda não suportam ligações por satélite.

A operação e gestão de todo este sistema está a cargo do Centro de Operação e Gestão, um organismo que funciona na dependência do MAI e que reúne elementos da GNR, PSP e do próprio ministério. É daqui que partem todas as orientações sobre as operações do sistema.

Só mais um passo

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