PSD

O deserto

Autor
  • Diogo Prates
126

Ou estes candidatos à liderança do PSD redirecionam a sua estratégia, apresentando alternativas válidas ao governo, ou arriscam-se a ver o PS cada vez mais longe e o CDS-PP cada vez mais perto.

Alguns cientistas preconizam que em menos de cem anos partes do Alentejo e algarve se possam tornar desertos devido às alterações climáticas. Felizmente os nossos políticos, especialistas em antecipar problemas já trouxeram o tema para a ribalta, demonstrando o absoluto deserto de ideias em que se tornou a corrida à liderança do PSD.

Comecemos por Rui Rio, o eterno “segurem-me senão eu candidato-me”. Finalmente, a “vaga de fundo” e a vontade de D. Sebastião, perdão, Rui Rio lá se conjugaram, os astros alinharam-se, os chakras cantaram e o homem é mesmo candidato. Ainda antes de ser candidato o Dr Rui Rio sugeriu uma diminuição do IVA, IRS e IRC para, em contrapartida ser criado um novo imposto consignado ao pagamento da dívida pública. Esta proposta diz muito sobre quem a faz. Em primeiro lugar não se propõe nada para diminuir despesa, ou mesmo reduzir o ritmo se endividamento, o que se propõe é a criação de um imposto.

Rio provou com esta proposta que não percebe o sentimento actual da população em geral; ninguém pode ouvir falar em mais impostos ou em divida porque a generalidade dos portugueses paga impostos elevados, de forma directa ou indirecta, e em nada beneficia com o aumento da divida. O que os portugueses esperam do líder da oposição é exactamente o oposto, ou seja, uma alternativa a este desmesurado aumento de impostos onde a dívida cresce e apesar disso os serviços públicos se degradam.

Rio percebeu que esta sua ideia era um tiro no pé e nunca mais falou dela, o pior é que nunca mais falou de nada. Recentemente num encontro com militantes referiu: “não vale a pena dizer o que se vai fazer porque não conheço o estado das coisas por dentro, para não estar a prometer uma coisa e chegar lá e não poder fazer”. Certo, mas há ideias que se podem ter, coisas que se podem fazer mesmo sem conhecer ao cêntimo as contas públicas. O problema é que nenhum candidato se quer comprometer com nada, jogando o jogo do tacitismo político deixando pouco espaço para debater o país.

Passemos a Pedro Santana Lopes, o derrotado crónico. Cinco vezes se candidatou à liderança do PSD, outras tantas perdeu e ganhou apenas uma vez quando foi candidato único. Ofereceu praticamente de mão-beijada uma maioria absoluta ao PS de Sócrates numa campanha no mínimo pouco conseguida. Recentemente deixou arrastar o processo de candidatura à câmara de Lisboa durante demasiado tempo, deixando o partido à deriva e a ter que recorrer a uma péssima escolha, com se veio a confirmar pelo resultado eleitoral obtido.

Tal como Rio o discurso é redondo: Unir o partido, ganhar o país. Talvez sirva aos militantes, os portugueses precisam de mais. Os portugueses exigem dos candidatos a líder do maior partido da oposição uma alternativa clara a este governo e a coragem para dizerem agora o que pretendem fazer no futuro. Os elogios de Santana às cativações de Centeno provam que também ele não sabe ler o sentimento da população, tem ficado demonstrado que as cativações sobretudo na área da saúde e na educação com o caso dos alimentos nas cantinas, estão a penalizar os mais pobres que não têm acesso a serviços privados e estão sujeitos a serviços públicos que lutam com restrições orçamentais gravíssimas devido a essas mesmas cativações.

Em resumo, ou estes candidatos redirecionam a sua estratégia, apresentando alternativas válidas ao governo socialista/comunista nomeadamente já nos debates entre os dois ou arriscam-se a ver o PS cada vez mais longe e o CDS-PP cada vez mais perto.

Médico e fisioterapeuta

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