A Marinha dos Estados Unidos já tinha deixado de dar nomes de estados a navios e já só os dava a submarinos. O Governador de Nova Iorque sabia disso quando escreveu uma carta ao secretário de Estado da Defesa a pedir-lhe que abrisse uma exceção e autorizasse que um dos navios de guerra norte-americanos se chamasse New York.

Pouco tempo tinha passado desde o 11 de setembro de 2001. Tinham morrido perto de três mil pessoas no ataque às Torres Gémeas do World Trade Center, em Nova Iorque. Para o Governador, George Pataki, dar o nome do estado a um navio de guerra servia de garantia de memória. “Todos os nova-iorquinos e o mundo nunca esquecerão os maléficos ataques do 11 de setembro e a coragem e compaixão demonstrada como resposta ao terror”, disse já depois de a autorização ter sido dada, em agosto de 2002.

Em setembro desse ano anunciou-se que um dos navios a serem futuramente construídos chamar-se-ia New York e que utilizaria na sua estrutura aço proveniente dos escombros das torres caídas um ano antes. Mais precisamente, 7,5 toneladas para “defender a liberdade e combater o terrorismo em todo o mundo”, disse Pataki.

A construção arrancou em 2003, quando o aço das Torres Gémeas foi fundido por “grandes e ásperos metalúrgicos” que trataram os escombros com “total reverência”, recorda Kevin Wensing, capitão que estava nesse momento presente. Depois, o furacão Katrina passou pelo local onde decorriam os trabalhos e a construção foi suspensa três semanas. Outros navios ficaram seriamente danificados, mas não o New York.

Em novembro de 2009, poucos dias antes de ser entregue definitivamente à marinha por parte da empresa construtora, o USS New York foi à cidade que lhe dá nome. Parou no rio Hudson junto à zona onde ficava o World Trade Center, desfraldou-se a bandeira e houve uma salva de 21 tiros perante bombeiros, polícia, familiares das vítimas e veteranos de guerra. “Em setembro de 2001, os inimigos da nossa nação trouxeram a sua luta até Nova Iorque. O USS New York vai agora levar a luta aos inimigos da nossa nação”, resumiu Pataki.