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António José Seguro não vai fazer nada para que haja eleições antecipadas, mas quere-as. Na reação à vitória (curta) eleitoral, o líder socialista afirmou que estes resultados mostram uma realidade: “Este Governo chegou ao fim”. Mas o que vai o PS fazer? Nada.

Em resposta aos jornalistas, Seguro recusou apresentar uma moção de censura ao Executivo. “Seria um frete ao Governo”, justificou. Mas antes tinha admitido: “No que depender de nós haverá eleições antecipadas”. Contudo, esta declaração não vai ter um resultado prático. Apenas pressão para o Presidente da República convocar eleições antecipadas. No entanto, afirmou que objetivo  é só um: ter “maioria absoluta” nas eleições legislativas e essas, para Seguro deviam ser mais cedo do que tarde, relembrando que a vontade do PS já era a de haver eleições desde a crise de Junho do ano passado. Na reação aos resultados, garantiu que o PS quer continuar a trabalhar para

“merecer, como ambicionamos uma maioria absoluta para governar Portugal”.

Para Seguro, a explicação para não avançar com uma moção está na composição da Assembleia da República, uma vez que no Parlamento há uma maioria parlamentar PSD/CDS que chumbaria a iniciativa socialista. Por isso, para o secretário-geral socialista, a possibilidade de dissolução da Assembleia da República está nas mãos de três pessoas: do primeiro-ministro, Passos Coelho, do vice-primeiro-ministro, Paulo Portas e do Presidente da República, Cavaco Silva.

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António José Seguro reagiu cedo, ainda com os resultados por fechar. Com uma vitória mais pequena do que esperava, o socialista começou por sacudir a pressão e dizer que o “significado político é claro e inequívoco: há um vencedor, o PS e derrotados: o PSD e o CDS”.

Mas os números estavam difíceis de ler no PS. É que a vitória ficou aquém da vitória “histórica” e “estrondosa” pedida durante a campanha. Seguro começou, tal como outros dirigentes socialistas que foram falando ao longo da noite, que “o PS teve mais votos que a direita toda junta”. E até usou a perspetiva europeia para ajudar à leitura: “Somos hoje o terceiro partido socialista mais votado em 28 países da União Europeia. E o primeiro partido em Portugal”.

A leitura nacional chegou depois. O líder do PS insistiu que os resultados mostram que os portugueses querem “a mudança” e que é preciso não “frustrar” os votos de milhares de portugueses. Estava feita a ponte para o pedido de uma leitura nacional. “O PS está preparado para governar Portugal”, disse. “Podemos perder votos, daqueles que vão atrás de cantigas, mas o PS continuará firme e só prometemos o que temos a certeza que poderemos cumprir”, resumiu.

Assis deu a vitória a Seguro no minuto 1

Mal saíram as projeções, o candidato do PS, Francisco Assis, apareceu na sala no hotel onde os socialistas estavam reunidos para cantar vitória. Mas com as projeções a dar o PS bem abaixo dos 40%, como era esperado, o socialista preferiu salientar a “derrota histórica da direita”. O cabeça de lista às europeias considerou a vitória do PS como uma “vitória clara”, mas mais do que isso:

“Estamos perante uma verdadeira derrota histórica da direita”.

Na sala, quando saíram as projeções, reinou o silêncio e Assis pareceu incomodado nas respostas aos jornalistas, salientando diversas vezes a derrota da Aliança Portugal: “O PS ganhou. A direita teve uma derrota estrondosa”, disse. Assis relembrou ainda o facto de ser a primeira vez que o PSD (e coligado) fica abaixo dos 30% numas eleições. E isso significa, disse, “uma rejeição absoluta das políticas do Governo”. A explicação das consequências desta vitória ficarão para António José Seguro. Assis quis apenas salientar que o PS é de “novo o maior partido político português” e que se “reconciliou com o país”, que quer, frisou, “mudar”.