O presidente admitiu que a ameaça é real. “Absolutamente”. Ainda assim, Barack Obama deu ordem para que cinco dirigentes taliban afegãos, presos em Guantanamo, servissem de moeda de troca para a libertação de um soldado norte-americano. O sargento Bowe Bergdahl foi libertado, no passado sábado, depois de cinco anos de cativeiro.

A notícia foi confirmada pelo Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. “O povo americano está contente por poder em breve ter de volta a casa o sargento Bowe Bergdahl, que esteve cativo durante quase cinco anos”, pode-se ler num comunicado emitido pela Casa Branca, no qual também é proferido um agradecimento ao emir do Qatar e ao governo afegão pela colaboração durante todo o processo de libertação de Bergdahl. De acordo com o Washington Post, o acordo de libertação do soldado norte-americano envolveu a entrega de cinco taliban transferidos de Guantánamo para o Qatar, onde ficarão sujeitos a restrições de movimentos, incluindo a proibição de viajarem durante um ano.

A libertação do sargento Bergdahl está a causar algumas divergências de opinião dentro da própria administração Obama e já levou a oposição republicana a acusar a Casa Branca de quebrar a regra de que “não se negoceia com terroristas”, pondo em risco civis e militares em missão no estrangeiro, e de ter agido contra a lei ao não informar o Congresso sobre a troca de prisioneiros, algo que tem de ser feito com 30 dias de antecedência. Face às críticas, a Casa Branca decidiu contactar os responsáveis de vários comités do Senado e da Câmara dos Representantes para desculpar o facto de não os ter informado dos contornos da libertação de Bergdahl.

Dos cinco afegãos que foram libertados, há dois em particular que têm especial importância para os Taliban, Mullah Mohammad Fazl e Mullah Norullah Noori. De acordo com a VoxAnand Gopal, um especialista sobre os taliban da New America Foundation, acredita que Fazl e Noori são os dois taliban que “têm potencial de causar um impacto considerável sobre o campo de batalha”. Veja aqui quem são os cinco taliban que foram libertados.

  • Mullah Mohammad Fazl: Não é um dos membros fundadores do grupo terrorista mas foi subindo na hierarquia graças às suas capacidades físicas. Foi chefe das Forças Armadas em 2001 e é um dos grandes nomes da hierarquia taliban. De acordo com o Afghanistan Analysts Network (AAN), uma organização de pesquisa sem fins lucrativos, há evidências que Fazl é diretamente responsável pela morte de centenas de civis afegãos desarmados.
  • Mullah Norullah Noori: Comandante militar responsável pelas operações da zona norte do Afeganistão e governador da província de Balkh, também no norte do país. Apenas detinha títulos administrativos quando foi capturado em novembro de 2001.
  • Khair Ulla Said Wali Khairkhwa: É um dos membros fundadores do movimento taliban, que nasceu em 1994, o que lhe confere uma grande influência dentro do grupo. Ao mesmo tempo, é um dos membros mais moderados do grupo e está alegadamente ligado ao comércio de ópio. Kate Clark, uma das investigadoras da AAN, conheceu-o em setembro de 2000 e, ao contrário da maioria dos taliban, Khairkhwa mostrava-se muito à vontade ao conversar com estrangeiros, uma ocorrência rara dentro dos grupos terroristas.
  • Abdul Haq Wasiq: Foi vice-ministro das Informações dos taliban e é-lhe atribuído algum destaque na formação de alianças com outros grupos fundamentalistas islâmicos contra os Estados Unidos da América. Foi detido durante uma operação policial no final de 2001, na cidade de Ghazni, no leste do Afeganistão, depois de ter sido enganado por um subordinado, que denunciou o seu paradeiro.
  • Mohammed Nabi Omari: Em termos de hierarquia, nunca ocupou um cargo de grande visibilidade. Desempenhou diferentes funções de liderança, entre as quais a de chefe da segurança, e alegadamente esteve envolvido em ataques a forças internacionais.