O porta-voz dos Verdes europeus, Helmut Weixler, disse ao Público que o grupo parlamentar vai avaliar umas declarações de Marinho e Pinho, o eurodeputado eleito pelo Movimento Partido Terra (MPT), e perceber se serão “compatíveis” com o programa que os ecologistas defendem. Ou seja, a admissão dos dois deputados do MPT nos Verdes europeus está longe de ser certa.

Ainda não há conhecimento de quais serão as declarações em causa mas acredita-se que poderá ter a ver com o programa “Prós e Contras” de junho de 2013, no qual foram tratadas as questões da adoção e coadoção. Marinho e Pinto afirmou então ser contra a adoção de crianças por pessoas do mesmo sexo.

“Este direito a adoptar ou a coadotar não é um direito de um adulto. E se fosse teríamos que o colocar na balança da ponderação para ver em que medida ia agredir ou não os direitos das crianças: o direito a ter um pai e um direito a ter uma mãe”, começou por dizer Marinho e Pinto no programa da RTP. E continuou: “O direito a não ter dois pais, em que um dos pais destrói, necessariamente, no quotidiano da criança a representação intelectual que ela tem da mãe. Ninguém tem o direito de destruir isso porque é assim que a natureza organizou as coisas: um pai e uma mãe.”

As declarações de Marinho e Pinto aconteceram em resposta a Isabel Moreira, a deputada socialista que avançou com o projeto de lei sobre a coadoção aos casais do mesmo sexo. Marinho e Pinto elevou então o seu tom e concluiu: “O homem não pode dar-lhe dois pais a uma criança e tirar-lhe a mãe. Não pode dar-lhe duas mães e tirar-lhe um pai. Um pai digno de esse nome e digo de essa função nunca reparte essa função com outro homem. A mãe nunca reparte essa função com outra mulher e se o fizer é uma má mãe. Mãe há só uma. O que é preciso é dar a cada criança um pai e uma mãe.”

Contatado pelo Observador, José Inácio Faria, o segundo eurodeputado eleito pelo MPT, preferiu não comentar as declarações de Helmut Weixler e admitiu que os dois eurodeputados do MPT estão em negociações com outras famílias europeias. “Não há nada a declarar. Estamos num processo de negociação, não temos de comentar coisa nenhuma. Fomos contatados por várias famílias europeias”, disse. O eurodeputado confirmou que existem negociações em cima da mesa com os Liberais, o terceiro maior grupo do Parlamento Europeu (59 deputados), e negou que a prioridade sejam os Verdes. “Não são prioridade nem deixam de ser. Nós respondemos ao interesse dos portugueses que votaram em nós, sempre com o apoio do Partido da Terra”, explicou.

Com o fim de tomar uma decisão num futuro próximo, os Verdes europeus terão decidido ouvir os Verdes portugueses e Rui Tavares, um político que foi eleito em 2009 para o PE e que integrou o grupo parlamentar dos Verdes europeus. “Eles lá sabem o que estão a fazer. Levamos este processo com calma e de forma ponderada. Nós não temos nada a ver com isso”, afirmou José Inácio Faria.

O Observador contactou ainda Rui Tavares, que preferiu não se vincular a qualquer opinião sobre o caso. “Não sou a melhor pessoa para responder a isso”, começou por dizer. Questionado sobre se as declarações de Marinho e Pinto são compatíveis com o programa dos Verdes europeus, Rui Tavares preferiu valorizar a importância do tema para o grupo parlamentar. “São questões que são bastante caras para os Verdes e têm trabalhado muito nisso. É normal que as levem a sério. Foram importantes até para a escolha de comissários europeus”, explicou.