É nos documentos internos do Grupo Espírito Santo (GES), enviados ao Banco de Portugal, que o ex-contabilista do grupo relata a sua versão do desvio de 1,3 mil milhões de euros no passivo da Espírito Santo International. Nesses documentos, Francisco Machado da Cruz garante que Ricardo Salgado sabia desde 2008 que as contas não refletiam a verdade financeira da instituição, contando pormenores das reuniões onde foi decidida a reavaliação de ativos, para que fosse tapado o referido passivo.

Machado da Cruz é o homem que Ricardo Salgado responsabilizou, numa recente entrevista ao Jornal de Negócios, pela situação entretanto descoberta pelo banco central. Mas a sua versão conta outra história: que era com Salgado e com José Castella, controller financeiro do GES, que aprovava as contas antes de serem mostradas a outros administradores. A razão invocada foi esta: a crise financeira e o risco que todo o grupo corria de não lhe sobreviver – ou de não conseguir evitar uma intervenção do Estado.

Com a crise, diz Machado da Cruz nos documentos citados pelo semanário, o grupo ficou com um passivo a cada ano que passava. E confessa que, em 2008, tirou 180 milhões de euros do passivo da ESI que eram prejuízo. A manipulação desse passivo aconteceu no reporte das contas. E Salgado “sabia que faltava dinheiro”, apenas não tinha conhecimento de quanto, relata o jornal.