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O Vaticano desmentiu formalmente Eugenio Scalfari, fundador e jornalista do diário italiano La Repubblica, que este domingo publicou uma entrevista com o Papa Francisco em que este abordava o problema da pedofilia no seio da Igreja. “Considero gravíssimo. Estes dois por cento de pedófilos podem incluir bispos e cardeais. Além disso, outros conhecem estes casos e calam-se. Face a esta situação insustentável, é minha intenção afrontá-la com toda a severidade que ela requer”, relatava o jornal, num alegado comentário de Francisco às estatísticas sobre casos de abusos sexuais de menores dentro da estrutura católica.

Ora, o Vaticano desmente que Francisco tenha dito tais coisas. “Há duas afirmações que chamaram muito a atenção e que não podem ser atribuídas ao Papa. É aquela de que entre os pedófilos há cardeais; e a de que o Papa vai encontrar soluções para o celibato”, afirmou Federico Lombardi, porta-voz da Santa Sé.

“Como já ocorreu numa circunstância similar, é preciso destacar que o que Scalfari atribui ao Papa, referindo entre aspas as suas palavras, é fruto da sua memória de jornalista, mas não de uma transcrição precisa de uma gravação”, referiu Lombardi, que se referia a um outro caso envolvendo o mesmo jornalista, que em dezembro fora já desmentido pelo Vaticano, também por citação errada do Papa. Na altura, Scalfari admitiu que não usara gravador nem tirara notas na sua conversa com Francisco e que apenas utilizara a memória para escrever o texto.

Assim, afirma Lombardi, “não se pode nem se deve de nenhum modo falar de uma entrevista no sentido habitual do termo, como se se relatasse uma série de perguntas e respostas que reflitam fielmente o pensamento do interlocutor”. O porta-voz acrescenta ainda: “Estas duas declarações estão claramente atribuídas ao Papa mas, curiosamente, as aspas são abertas e depois não são fechadas… Esquecimento ou reconhecimento explícito de que se está a fazer uma manipulação para os leitores ingénuos?”

O La Repubblica publicou as palavras de desmentido de Federico Lombardi, mas até ao momento não fez qualquer esclarecimento ao sucedido e, às 8h25 desta segunda-feira, a entrevista com o Papa mantinha-se inalterada.

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