A maior parte dos turistas que visitam a Escócia chegam do sul, isto é, vêm de Inglaterra. Se a Escócia se tornar independente, todos esses turistas poderão ter de passar por controlos fronteiriços. Esse é, aliás, um dos pontos onde é mais difícil perceber como seria o futuro estatuto de uma Escócia independente.

Atualmente a Escócia, como parte do Reino Unido, faz parte da União Europeia mas não integra o Acordo de Schengen. Para os cidadãos da UE, a circulação é livre e só necessitam de vulgar documento de identificação quando passam uma fronteira. Porém, como o Reino Unido não aderiu a Schengen, há controlo nas fronteiras à entrada na Grã-Bretanha, mas depois não existem mais fronteiras.

Para uma Escócia independente a primeira questão que se coloca é saber se faz ou não parte da União Europeia. Depois, em caso de adesão, se é ou não obrigada a aderir ao Acordo de Schengen. Se isso sucedeu, o resto do Reino Unido deverá impor controles fronteiriços, nomeadamente ao longo do Muro de Adriano. Isso é tanto ou mais provável quanto a campanha do Sim defende a necessidade de admitir mais imigrantes, o que seria sempre uma questão delicada na relação entre uma Escócia independente e o resto do Reino Unido.

Para nós, portugueses, cidadãos da União Europeia, pouco deverá mudar. As maravilhosas paisagens e o rico património da Escócia não deverão ficar à distância de um carimbo no passaporte – o cartão único do cidadão deverá continuar a ser suficiente.