A Alemanha admite uma renegociação dos empréstimos europeus à Grécia, mas essa só será uma possibilidade uma vez avaliados os resultados das eleições de dia 25 de janeiro. Depois da controvérsia em torno da notícia da Der Spiegel de que a Alemanha estaria disponível para deixar a Grécia sair da zona euro caso o Syriza vencesse as eleições, que valeu fortes críticas a Merkel, fontes do governo alemão passaram à agência Bloomberg uma mensagem mais positiva e flexível, numa altura em que o partido de esquerda radical continua a perder terreno nas sondagens.

Com cerca de 80% da dívida pública nas mãos dos parceiros europeus e de entidades como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE), a Alemanha procurou na quarta-feira colocar um ponto final à controvérsia gerada pela notícia do Der Spiegel, que citava fontes próximas de Merkel e que criaram tensão na Grécia e, também, no governo alemão. Deputados da coligação de Merkel disseram à agência Bloomberg que a Alemanha estará disponível para que se discuta, com um próximo governo, uma revisão dos reembolsos e dos juros, ainda que nunca uma redução do valor da dívida.

Estas negociações só poderão ter lugar, todavia, depois das eleições e da formação de um novo governo estável. E a Alemanha só se sentará à mesa para negociar novas condições para os empréstimos europeus caso haja um compromisso para manter o rumo da consolidação orçamental na Grécia.

“Deve haver negociações com qualquer governo que saia das eleições“, afirmou Ingrid Arndt-Brauer, deputada dos sociais-democratas do SPD (o partido que está em coligação com a CDU de Merkel) e presidente da comissão de Finanças da câmara baixa do parlamento alemão, o Bundestag. “Pode falar-se em alargar as maturidades e baixar os juros nos empréstimos mesmo com um governo de esquerda“, acrescentou a deputada.

Um outro deputado, da CDU, que a Bloomberg não nomeia, concordou que a Alemanha terá de negociar com qualquer governo eleito na Grécia, incluindo uma revisão das condições dos empréstimos. Isto partindo do pressuposto que a Grécia não abandona os esforços de consolidação das contas públicas.

A notícia surge numa altura em que, segundo duas sondagens citadas pelo EuropeanVoice, o partido da Coligação de Esquerda Radical, ou Syriza, está a perder terreno nas sondagens, ainda que continue à frente do partido Nova Democracia, liderado pelo ainda primeiro-ministro Antonis Samaras. Tanto um como outro continuam, claramente, longe de uma maioria absoluta no parlamento, a julgar pelas sondagens.