Agentes do FBI (serviços secretos internos norte-americanos) detiveram esta segunda-feira no bairro nova-iorquino do Bronx um alegado espião russo, acusado de tentar recolher informações secretas económicas e recrutar fontes, indicaram responsáveis norte-americanos.

O alegado agente secreto infiltrado foi identificado como Evgeny Buryakov e será presente a um tribunal federal de Manhattan. Os procuradores do Ministério Público indicaram que outros dois elementos do círculo do alegado espião, Igor Sporyshev e Victor Podobnyy, estão protegidos por imunidade diplomática, mas já não residem nos Estados Unidos e não foram detidos.

Acredita-se que os três, que se faziam passar por bancários russos ou por representantes da missão russa para as Nações Unidas, seriam antigos agentes do SVR – serviços de inteligência russos para o estrangeiro – e estariam a trabalhar para a inteligência russa a partir de Nova Iorque enquanto agentes secretos não oficiais. Buryakov terá usado a sua posição enquanto funcionário de uma agência bancária russa (Vnesheconombank) sediada em Manhattan para recrutar fontes e recolher informação privilegiada sobre assuntos de interesses económico para Moscovo, que depois fazia chegar aos seus superiores em terras de Vladimir Putin.

O objetivo da rede de espionagem era, entre outras coisas, recolher informações sobre potenciais sanções norte-americanas contra a Rússia e sobre os esforços norte-americanos para desenvolver energias alternativas. De acordo com o Departamento de Justiça norte-americano, os três trabalhariam para um departamento específico na inteligência russa destinado aos “assuntos económicos”.

“Estas acusações demonstram o nosso firme compromisso contra as tentativas dos agentes secretos de reunir ilegalmente inteligência e de recrutar espiões dentro dos Estados Unidos”, disse ontem o procurador-geral Eric Holder, em comunicado. “Vamos usar todas as ferramentas à nossa disposição para identificar e prender os agentes estrangeiros que operam no interior deste país, não importa quão profundo seja o seu disfarce”, continuou.

A investigação levada a cabo pelo FBI, que culminou agora com a detenção do cabecilha, já durava pelo menos desde 2012, tendo arrancado anos antes, em 2010, na altura em que foram detidos dez espiões numa operação que ficou conhecida como “Illegals Program” (programa dos ilegais). Numa nota divulgada pelo FBI, os serviços de informação norte-americanos admitem que os alegados espiões já estavam a ser devidamente vigiados há alguns anos:

“Desde março de 2012 a setembro 2014 o FBI tem conduzido vigilância física e eletrónica sobre Evgeny Buryakov e Igor Sporyshev, entrando em mais de quatro dezenas de reuniões, muitas das quais envolviam Buryakov a passar uma mala, revistas ou folhas de papel para Sporyshev. Estes encontros ocorriam geralmente ao ar livre, onde o risco de vigilância era reduzido relativamente a uma localização interior”.

A prisão do espião é o mais recente episódio da batalha que está a ser travada entre EUA e Rússia, nomeadamente ao nível financeiro e de sanções, o que acentua ainda mais a tensão entre os dois países.