O Prémio Nobel da Paz José Ramos-Horta assegurou hoje que o ex-primeiro-ministro timorense Xanana Gusmão “vai ser leal” ao atual chefe do Governo de Timor-Leste, Rui Maria Araújo, porque “sabe respeitar a hierarquia do Estado”.

Falando numa Palestra intitulada “Timor-Leste, desafios e perspetivas”, José Ramos Horta, ex-presidente timorense, entre 2007 e 2012, afirmou que “há uma reverência da parte de Xanana Gusmão”, que ocupa a pasta do ministro do Planeamento e Investimento Estratégico, depois de abandonar o executivo de Díli.

O VI Governo Constitucional de Timor-Leste, liderado por Rui Maria Araújo e formado por 38 elementos, tomou posse há duas semanas numa cerimónia presidida pelo chefe de Estado, Taur Matan Ruak.

“O novo cargo (de Xanana Gusmão) foi escolha de todos nós” timorenses, disse, em Lisboa, o Prémio Nobel da Paz-1996, um dos mais destacados líderes políticos de Timor-Leste.

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“As decisões são tomadas em Conselho de Ministros. As figuras chaves do governo são o primeiro-ministro e o das Finanças. Xanana Gusmão decidiu pegar num ministério estratégico, mas não vai fazer muito mais do que aquilo que for aprovado pelo Conselho de Ministros e o Parlamento. Ele quis pegar nesta área para assegurar todo o apoio ao primeiro-ministro”, disse José Ramos Horta.

O também antigo primeiro-ministro (2006-07) de Timor-Leste defendeu o atual figurino adotado pelas autoridades timorenses que culminou com a criação de um governo de inclusão nacional.

José Ramos Horta esteve diretamente envolvido no processo de mudança que se materializou no abandono, por parte de Xanana Gusmão, do cargo de primeiro-ministro, substituído por Rui Maria de Araújo.

Durante a palestra, Ramos-Horta defendeu um modelo próprio para Timor-Leste, afirmando “não acreditar na ideia de que um governo de unidade nacional enfraqueça a democracia”.

“O estilo clássico de que quem ganha a eleição leva tudo, não é muito saudável. Foi isso que recomendei à Guiné-Bissau”, enquanto representante das Nações Unidas naquele país africano.

“Vamos ver o que acontece em 2017”, ano em que decorrerão as eleições em Timor-Leste. Ramos-Horta mostrou-se otimista quanto ao futuro político e socioeconómico do país, destacando o sucesso dos anteriores governos do país, nomeadamente o modelo escolhido para gerir o fundo petrolífero.

“Timor-Leste está protegido em relação ao petróleo” e “tem excelentes relações” com os países vizinhos, disse Ramos-Horta, que elogiou as “decisões prudentes” do antigo governante Mari Alkatiri quanto à gestão dos fundos públicos provenientes de petróleo.