O governo alemão afirmou que o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, cometeu “uma falha” ao ter acusado Portugal e Espanha de quererem conduzir a Grécia a uma asfixia financeira durante as negociações em Bruxelas sobre a dívida helénica.

“Só posso dizer que, de acordo com os padrões europeus, foi uma falha muito invulgar”, disse Martin Jaeger, porta-voz do ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, durante uma conferência de imprensa.

“Não fazemos isto no Eurogrupo”, acrescentou o porta-voz.

No sábado, numa reunião do comité central do seu partido, Syriza, Alexis Tsipras afirmou que no Eurogrupo a Grécia se deparou “com um eixo de poderes liderado pelos governos de Espanha e de Portugal que, por motivos políticos óbvios, tentou levar a Grécia para o abismo durante todas as negociações”.

“O seu plano era e é desgastar-nos, derrubar o nosso Governo e levá-lo a uma rendição incondicional antes que o nosso trabalho comece a dar frutos e antes que o exemplo da Grécia afete outros países, principalmente antes das eleições em Espanha”, previstas para o final deste ano, acrescentou o líder grego na mesma altura.

Na conferência de imprensa em Berlim, Martin Jaeger referiu que “Portugal e Espanha são parceiros com os quais a Alemanha trabalha em estreita colaboração”.

“Temos muito respeito por aquilo que os dois países têm alcançado nos últimos anos em termos de reformas”, concluiu o porta-voz.

No domingo, fontes do executivo grego afirmaram que Atenas não procura “inimigos externos”.

“O novo governo grego não classifica os países e os cidadãos da Europa como amistosos e hostis, não procura, portanto, inimigos externos, mas sim soluções para toda a Europa através da cooperação e do diálogo dos povos e governos. Portanto, qualquer má interpretação não ajuda o diálogo”, referiram fontes do governo helénico.

Durante o fim de semana, numa entrevista ao jornal Bild am Soontag, o ministro das Finanças alemão pediu a Atenas que cumpra o acordo e modere as suas declarações, reiterando ainda que a Alemanha quer que a Grécia permaneça no euro.

“Não queremos um ‘Grexit'”, afirmou Wolfgang Schauble, numa referência a uma eventual saída da Grécia da zona euro, mas considerou que a decisão final a esse respeito cabe a Atenas.

“Somos solidários, mas não extorsionários. Ninguém forçou a Grécia ao programa de ajuda. Por isso, está totalmente nas mãos do governo de Atenas”, acrescentou.

Além disso, Schauble considerou que tanto o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, como o seu ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, deveriam baixar o tom, embora pessoalmente dê mais valor “aos acordos do que às declarações”.

“Seria bom que o governo grego não falasse de modo que nos seja difícil convencer os nossos cidadãos”, comentou.

Recorde-se que Espanha enviou uma carta de protesto contra estas declarações e Portugal também protestou, ainda que por via diplomática.