Outra vez, Vítor Pereira?

O treinador do Olympiakos voltou a estar no meio de um episódio de violência num estádio na Grécia. Desta vez em casa do AEK de Atenas, onde celebrou efusivamente um golo diante dos adeptos rivais.

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O treinador português voltou a aproximar-se da bancada dos adeptos rivais num estádio e, depois, a vê-los reagir, com uma invasão de campo e o lançamento de objetos

ARIS MESSINIS/AFP/Getty Images

O treinador português voltou a aproximar-se da bancada dos adeptos rivais num estádio e, depois, a vê-los reagir, com uma invasão de campo e o lançamento de objetos

ARIS MESSINIS/AFP/Getty Images

O jogo estava embrulhado e, mais do que isso, servira para acumular tensões, nervos e ansiedade, sobretudo do lado de quem vestia com camisolas listadas a vermelho e branco. O Olympiakos, de visita a um dos rivais de Atenas, o AEK, que anda escondido na liderança da segunda divisão, estava empatado a zeros, aos 88’, e a minutos de arrastar o jogo dos quartos-de-final da Taça da Grécia para prolongamento. Vítor Pereira, treinador a equipa visitante, estava a ver tudo desde o banco, mas de lá saiu disparado assim que o peito de Franco Jara atirou a bola para dentro da baliza.

De repente o Olympiakos ficava no lado bom do marcador, puxava a eliminatória para o seu lado (a primeira mão terminara num 1-1) e soltava os tais nervos e a ansiedade. Assim que a bola entra, o técnico português desata a correr, ao longo da linha lateral, em direção à bandeirola de canto que o ex-avançado do Benfica pontapeou, já em tronco nu e com os companheiros de equipa a rodeá-lo, num cerco de festejo. Mas o português não se ficou por ali.

Porque a corrida de Vítor Pereira fê-lo ultrapassar, em alguns metros, a zona onde os seus jogadores festejavam. O técnico chegou à pista de atletismo que circunda o relvado e, virado para a bancada que acolhia milhares de adeptos do AEK, esbracejou efusivamente, celebrando o golo. Assim ficou um par de segundos, até alguém o puxar e fazer recuar uns metros, para junto dos jogadores. Com esta mistura mesmo debaixo das barbas — um golo do empate a fechar a partida, jogadores rivais a festejarem e treinador alheio a celebrar –, os adeptos do AEK reagiram.

E fizeram-no rebentando petardos, lançado objetos na direção dos jogadores do Olympiakos enquanto atravessavam a pista e invadiam o relvado. Ou seja, o árbitro foi pronto a interromper o jogo e a mandar toda a gente para o refúgio do balneário. O resultado, portanto, ficou no 1-0 que deu a qualificação à equipa de Vítor Pereira, que no final tinha algo a dizer sobre tudo. “Senti a necessidade de celebrar assim. Marcámos no minuto 89. Aqueles que me conhecem sabem que sou entusiasta. Parabéns à minha equipa”, explicou.

Já Traianos Dellas, treinador do AEK e que, nos seus tempos de jogador, esteve na defesa da seleção grega que, em 2004, foi a Portugal vencer o Europeu, sublinhou ao jornal Ta Nea que “o único adversário que não consegues vencer é a parvoíce”. Este episódio surge cerca de duas semanas após um outro, com toques de violência, que ocorreu num dos maiores estádios do futebol grego. Do quê? Dos tumultos que, a 22 de fevereiro, Vítor Pereira também viu explodirem depois de se aproximar da bancada onde estava adeptos de um clube rival.

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Nesse caso foi em casa do Panathinaikos, outro rival ateniense do Olympiakos, numa partida a contar para a Super Liga grega. Aí tudo começou quando o português se aproximou de uma das balizas e dirigiu um gesto para a bancada, motivando o lançamento de objetos para o relvado, adiando o início do dérbi. Foi esse encontro que deu uma das razões para o governo grego suspender o campeonato durante uma jornada e, até agora, manter as portas dos estádios fechadas para adeptos — decisão que, aliás, também decidiu aplicar na ronda que se realiza este fim de semana.

Após a confusão no dérbi com o Panathinaikos, os jornalistas tinham perguntas para colocar a Vítor Pereira e fizeram-no na primeira conferência de imprensa em que o treinador apareceu. E o português não gostou. “Gostei muito. Fiquei cheio de medo quando entrei dentro de campo e veio um mascarado para me bater. Fez-me lembrar os meus tempos de criança, parecia um fantasma”, disse o técnico que, em 2012 e 2013, foi bicampeão nacional com o FC Porto. E Vítor Pereira até comentou o tal gesto que fez na altura. “O gesto foi feito depois de ele entrar. Quando ele entrou, quis dizer-lhe que não tenho medo. Sabes porquê? Porque sou homem. Não tenho medo, nem dele nem de ninguém”, sublinhou.

O Olympiakos seguiu assim para as meias-finais da Taça da Grécia e, com esta confusão, o AEK de Atenas, líder da segunda divisão, poderá ver a federação ou a liga de futebol do país a penalizarem o clube. O provável castigo, escreve a imprensa helénica, deverá ser a dedução de pontos nesta, ou na próxima, edição do campeonato.

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