O terrorista da “Resistencia Galega” detido quarta-feira em Portugal foi condenado a um ano de prisão com pena suspensa por igual período por falsificação de documento. Já tinha sido sentenciado pela Audiencia Nacional a 11 anos de pena de prisão em Espanha, por atentar contra instalações de radiotelevisão em Pontevedra e chegou a planear outro contra uma sede local do PP espanhol.

Héctor José Naya Gil, de 33 anos, de nacionalidade espanhola, foi detido na quarta-feira no aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, quando tentava embarcar num voo para Caracas (Venezuela), com um passaporte venezuelano falso.

Na leitura da sentença no Tribunal da Maia, após julgamento em processo sumário, o juiz revelou ter considerado como atenuante a confissão integral e sem reservas do arguido, membro da “Resistência Galega”.

Como agravantes na condenação, o juiz avaliou a intensidade do dolo e os antecedentes criminais, nomeadamente em Espanha, onde Hector José Naya Gil, de 33 anos, foi condenado a uma pena de 11 anos de prisão pelos crimes de participação em organização terrorista e colocação de artefactos explosivos com fins terroristas.

Em causa está a detonação de duas bombas junto de antenas de radiotelevisão em Monte Sampaio de Vigo (Pontevedra), em Agosto de 2012, e colocação de outras duas (bombas caseiras com quase 1,5 quilos de pólvora e recipientes de gasolina) que não rebentaram.

A detonação dos dois artefactos apenas causou estragos materiais, mas a Audiencia Nacional considerou, na sentença, que o rebentamento das outras duas teria “ocasionado lesões graves, incluindo a morte, a qualquer pessoa que se encontrasse nas suas imediações”.

Após o rebentamento das bombas, os dois cúmplices de Héctor reinvidicaram o atentado em nome da “Resistência Galega” através de um comunicado enviado às redações dos jornais da região, incluindo o Faro de Vigo, que fez queixa às autoridades.

A Audiencia Nacional deu ainda como provado que, em inícios de setembro de 2012, três meses depois de detonar as bombas em Pontevedra, Héctor Gil e um cúmplice foram de Vigo “até à localidade de Moaña, dirigindo-se à rua em que está a sede do PP [Partido Popular espanhol, atualmente no poder], observando o local e inspecionando as ruas e as vias adjacentes, com o objetivo de realizar um atentado com explosivos”.

“Essa viagem tinha como fim exclusivo fazer o reconhecimento do local, a sede do PP, com o objetivo de ações futuras com explosivos contra o mesmo”, escreve o tribunal. Héctor foi detido pouco depois, em setembro de 2012, e começou a ser julgado em outubro de 2014.

Pouco depois de ser confirmada a sentença de 05 de dezembro último, Héctor Gil fugiu às autoridades espanholas e a Audiencia Nacional emitiu uma “ordem de captura”, disse à Lusa fonte oficial do tribunal.

A Audiencia Nacional, uma instância especial com jurisdição sobre toda a Espanha e especialista em crimes graves como terrorismo, corrupção ou crime financeiro, também descreve o movimento Resistencia Galega na sua sentença.

“A denominada “Resistencia Galega” é uma organização terrorista cujo objetivo é o de conseguir a independência do território histórico da Galiza face a Espanha e uma parte do Norte de Portugal, subvertendo para isso a ordem constitucional na Comunidade Autónoma […], justificando o uso da violência contra pessoas e bens como única forma de alcançar os seus propósitos”, escreve o tribunal.

Héctor Naya Gil está hoje no tribunal da Maia para responder sobre o crime de falsificação de documentos e deverá ser extraditado nos próximos dias, a fim de cumprir os 11 anos de pena de prisão em Espanha.