Depois de uma espécie de afastamento, o PS retoma o caminho de convergência com a candidatura de Sampaio da Nóvoa e até ao final do mês os socialistas vão debater e decidir sobre um apoio ao candidato presidencial. O acelerar do calendário deve-se à dispersão de opiniões sobre presidenciais, numa altura em que António Costa quer todos focados nas eleições legislativas. E acontece, sobretudo, depois de um encontro entre Sampaio da Nóvoa e Carlos César.

A reaproximação aconteceu na última semana depois de encontros entre a estrutura da candidatura e do PS, mas principalmente entre uma reunião entre o próprio Sampaio da Nóvoa e o presidente do PS, Carlos César, apurou o Observador. Este encontro aconteceu depois de o próprio Carlos César ter admitido, em entrevista à Antena 1, que o partido poderia até não apoiar nenhum candidato, não fechando assim a porta a outras candidaturas, dentro do próprio partido, como Maria de Belém.

Contudo, a vaga de críticas e de opiniões no espaço público sobre eleições presidenciais, numa altura em que as sondagens começam “a ser simpáticas” para o PS, diz a mesma fonte, levou os socialistas a acelerar a decisão. A intenção é evitar “que comece cada um a levantar o dedo a apoiar um determinado candidato” e assim fechar o dossiê que ameaçava (e já estava a ser), problemático para os socialistas.

O caso das presidenciais estava a ser problemático para o próprio partido, que vê na comissão de candidatura de Sampaio da Nóvoa (prefere chamar-lhe assim a chamar-lhe comissão de honra) que é apresentada esta quarta-feira, vários socialistas entre os ex-presidentes Jorge Sampaio e Mário Soares, mas também Ramalho Eanes. Três apoios a Sampaio da Nóvoa que foram salientados como exemplos das boas escolhas do partido no que diz respeito a apoios a presidentes pelo próprio secretário-geral do partido:

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“O candidato que o PS escolher, como escolheu Ramalho Eanes, Mário Soares, será um grande Presidente da República”
, disse Costa esta terça-feira à margem de uma homenagem ao ex-ministro socialista Mariano Gago.

No entanto, do PS nada sairá até à próxima reunião da Comissão Política do PS, no dia 21 de julho, para aprovar as listas de deputados. A ordem será o silêncio, uma vez que António Costa continua a frisar que o importante é concentrar esforços nas legislativas. Com uma decisão sobre o dossiê presidenciais, acaba com a especulação e com o ruído no espaço público em torno do apoio ou não. Além de que poderá assim travar o aparecimento de outras candidaturas.

Uma decisão socialista sobre as eleições presidenciais acontece assim depois de palavras de Carlos César terem feito sorrir aqueles que não queriam um apoio a Sampaio da Nóvoa. Contudo, logo na altura, fonte do partido tinha dito ao Observador que nada tinha mudado em relação à posição do partido sobre o ex-reitor e que as palavras de César eram mais do ponto de vista institucional. Ou seja, como presidente do PS, não tendo o partido assumido um apoio declarado a um não militante, leia-se Sampaio da Nóvoa, e havendo a possibilidade de uma ex-presidente do partido se candidatar, César não poderia condicionar o apoio do PS a Nóvoa nem retirar o tapete a Maria de Belém.

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