Os advogados de José Sócrates contestam não ter tido ainda acesso integral aos autos do processo contra o cliente conforme foi deliberado pelo Tribunal da Relação de Lisboa. Na carta enviada à procuradora-geral da República, a que o Observador teve acesso, os advogados “aguardam a adoção urgente e imediata de todas as medidas indispensáveis a garantir um processo justo e a proteger os mais elementares direitos fundamentais do constituinte”.

O acesso integral aos autos continuou a ser formalmente recusado, mantendo-se assim reservada ainda a maior parte deste processo – o que representa evidente violação pelo titular do inquérito do decidido pela Relação de Lisboa”, lê-se no ponto dois de 11 da carta enviada, referindo-se à decisão do Tribunal da Relação de Lisboa, “que decretou cessado desde 15 de abril de 2015 o segredo de justiça interno”.

João Araújo e Pedro Delille afirmam que o processo não tem “qualquer facto concreto” e que se baseia apenas na “devassa da intimidade privada e familiar, das conversas e dos silêncios, das viagens e das estadias, do próprio e de todos quantos com ele se cruzaram”.

Apenas para satisfação mórbida da turba ululante, por um carneiro a imolar na pira mediática. Mas, afinal, de que o acusam? Qual o crime? O que é que fez de errado? De contrário ao Direito vigente?”, interrogam-se os advogados no ponto oito.

Mais, João Araújo e Pedro Delille acusam alguns jornalistas de servirem o Ministério Público e de divulgarem “calúnias e deturpações torpes e vis de elementos do processo”, “por todos os meios ao seu dispor” e “através dos órgãos de comunicação social para que assumidamente trabalham”.

“Mas o mais surpreendente é que a teia urdida por esses interesses obscuros conta e continua a contar com a completa inércia, e até mesmo a aparente conivência cúmplice, do Ministério Público – que devia zelar pela defesa dos valores fundamentais da República, mas se faz assistir por ‘jornalistas’ que requereram a respetiva constituição nesse estatuto processual apenas para mais facilmente lucrarem economicamente com a difusão sensacionalista de ‘notícias’ falsas e caluniosas“, continuam os advogados no ponto seis da argumentação.

E as acusações contra jornalistas continuam – sempre com aspas a ladear a palavra que define dos trabalhadores dos órgãos de comunicação –, dizendo que o “processo penal decente, democrático, é substituído pelo teleponto pré-programado de ‘jornalistas’ sem escrúpulos”.