O Tribunal Penal Internacional (TPI) anunciou hoje que o início do julgamento do ex-Presidente da Costa do Marfim Laurent Gbagbo, acusado de crimes contra a Humanidade, foi remarcado para 28 de janeiro de 2016.

Inicialmente, a instância penal internacional, com sede em Haia, tinha agendado o início do julgamento do antigo líder costa-marfinense para o próximo dia 10 de novembro.

Esta decisão também abrange o ex-ministro costa-marfinense Charles Blé Goudé, réu no mesmo processo (desde março passado por deliberação do TPI) e acusado igualmente de crimes contra a Humanidade, cometidos entre dezembro de 2010 e abril de 2011.

Num comunicado, o TPI informou que a defesa de Gbagbo solicitou na terça-feira a presença de três peritos designados pela instância internacional para avaliar o estado de saúde do antigo Presidente costa-marfinense e a sua capacidade de resistência ao julgamento.

Perante tal pedido, a instância penal internacional, criada ao abrigo das Nações Unidas, decidiu remarcar a audiência para conhecer os detalhes e para “avaliar cuidadosamente e considerar os relatórios dos peritos”.

“Os promotores vão começar com a apresentação das suas provas diretamente após as declarações iniciais em janeiro de 2016”, precisou a mesma nota.

Em junho de 2014, a instância penal internacional confirmou as acusações de homicídio, violação, atos desumanos e degradantes, tentativa de homicídio e perseguição contra Gbagbo, de 70 anos. Este processo teve início em 2011.

Os crimes foram presumivelmente cometidos durante a repressão das manifestações na Costa do Marfim entre dezembro de 2010 e abril de 2011, quando Laurent Gbagbo quis permanecer no poder, mesmo depois de ter perdido as eleições presidenciais contra Alassane Ouattara, em 2010.

Durante os tumultos morreram cerca de 3.000 pessoas, segundo os dados das Nações Unidas.

Laurent Gbagbo foi presidente da Costa do Marfim entre 2000 e 2011, enquanto Blé Goudé foi um antigo líder da formação Jovens Patriotas e foi ministro da Juventude de Gbagbo.