A Amnistia Internacional condenou, este domingo, a execução de 47 pessoas realizada no sábado na Arábia Saudita, incluindo a do religioso xiita Nimr Baqir al-Nimr. Para a Amnistia Internacional, cumprir estas sentenças de morte “quando há sérias dúvidas sobre a legitimidade do julgamento, é uma justiça monstruosa e irreversível”.

“O assassínio de al-Nimr sugere que as autoridades da Arábia Saudita estão a empregar a pena de morte em nome do antiterrorismo para ajustar contas e oprimir os dissidentes”, refere, em comunicado, o diretor da Amnistia Internacional para o Médio Oriente e Norte de África, Philip Luther.

No sábado, foram executadas 47 pessoas por acusação de terrorismo, entre as quais a Nimr Baqir al-Nimr, figura da contestação contra o regime saudita. O dirigente religioso xiita Nimr Bager al-Nimr, um acérrimo crítico do regime saudita, foi condenado à morte em outubro de 2014 por rebelião, “desobediência ao soberano” e “porte de armas”. Esteve na liderança dos protestos da população xiita em 2011 e 2012 no leste da Arábia Saudita, onde são maioritários, num país em que predomina o islamismo sunita, praticado por 85% dos 30 milhões de habitantes.

A execução de Nimr al-Nimr já motivou vários protestos e manifestações um pouco por todo o Médio Oriente – a embaixada saudita em Teerão foi mesmo atacada por manifestantes – e até em Londres, com dezenas de pessoas a manifestarem-se em frente à Embaixada da Arábia Saudita. Este domingo, o líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei, disse que a Arábia Saudita vai sofrer uma “vingança divina” pela execução de um líder religioso xiita Nimr al-Nimr.