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Porto

Os restaurantes, bares e lambarices que 2015 deu ao Porto

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As cidades vibrantes são assim. Entre um abrir e fechar de olhos vimos muitos (e bons) restaurantes a nascer, bares conceptuais, novos espaços culturais e arte nas ruas. Assim foi 2015 no Porto.

A esplanada do Base, nos Clérigos, foi um dos melhores espaços que o ano de 2015 trouxe ao Porto

©Igor Martins / Global Imagens

Autor
  • Sara Otto Coelho

A cada saída no Porto, um comentário de espanto: “Isto é novo, não é?”. Na cidade que passou o último ano sob as luzes da ribalta do turismo, os bares, restaurantes, lojas e projetos criativos vão-se renovando a uma velocidade apreciável. Antes de começarmos a dar conta das muitas aberturas que 2016 traz consigo, fazemos a revisão da matéria dada e passamos os olhos em alguns dos novos espaços mais apetecíveis do ano que passou.

Para comer

Porta4
Quem procura um restaurante na Baixa do Porto onde se coma bem, mas ainda não sabe bem se quer petiscos, comida tradicional ou até as italianas piadinas, deve descer a Rua Doutor Barbosa de Castro, entre o Jardim da Cordoaria e o Passeio das Virtudes. Uma das novidades chama-se Porta4 e desde julho que serve tapas portuguesas, num ambiente acolhedor e com vista sobre o Porto — nem que seja através das fotografias que decoram as paredes. Com preços acessíveis (e possibilidade de menu fixo para grupos), da oferta destacam-se as lulas com molho aioli de manga e caril ou as almôndegas vegetarianas com gnocchi e queijo de São Jorge. Para sobremesa, prove o leite-creme de café.
Rua Doutor Barbosa de Castro, 4. 91 320 3489

La Piada
Já que falamos em piadinas, 2015 parece ter sido o ano em que esta receita tradicional italiana tentou conquistar os portugueses. E pelo menos neste La Piada, um misto de restaurante e loja, conseguiu. A partir de 6,50€ pode provar uma das várias piadinas pensadas e preparadas pela italiana Ludovica e pelo portuense Tomás. Quem não quiser nada com piadas e preferir sopas, saladas (a de requeijão, alface, azeitonas, tomate, banana seca e goji é uma boa opção) tábuas de queijos e sobremesas também vai sair deste pequeno espaço de sorriso nos lábios.
Rua Doutor Barbosa de Castro, 64. 22 094 3072

la piada

Não é piada, é a tábua de queijos do La Piada. (foto: © www.facebook.com/lapiadaporto)

BOP Café
Os puristas do som vão gostar de saber que, em dezembro, abriu um bar junto ao Bolhão que não recorre a computadores nem a serviços de streaming para dar música aos clientes. A pôr música na inauguração, por exemplo, esteve Joaquim Durães, o patrão da editora e promotora Lovers & Lollypops. Nos restantes dias, só rodam discos de vinil, do rock ao funk, passando pela música portuguesa. Não gosta do que está a tocar? Também se resolve. No BOP Café há três pontos de escuta individuais onde se pode sentar, pedir uma bebida e um dos vinis da lista para escutar sozinho. Para além dos vinhos, cervejas e cocktails há pequenos-almoços saudáveis, algumas sanduíches, bagels, tartes e “café moído na hora”, seja expresso ou de saco, prometem os dois proprietários.
Rua da Firmeza, 575. 22 200 1732

daTerra
Pode dizer-se que se vivem tempos felizes para os vegetarianos e veganos que querem comer no Porto. 2015 teve mais restaurantes especializados a abrirem e outros estabelecimentos a demonstrarem preocupação com os pratos que têm à disposição para quem não come carne nem peixe. No verão chegou à Baixa o daTerra, já conhecido em Matosinhos pelo ótimo buffet. Por um preço fixo (7,50€ ao almoço, 9,90€ ao jantar) pode comer-se tudo o que se quiser e há vários pratos que têm em consideração os veganos. As bebidas e sobremesas são à parte.
Rua Mouzinho da Silveira, 249. 22 319 9257

restaurante vegetariano daterra porto e matosinhos

É daTerra que vêm estes, e outros, pratos. Em 2015, este vegetariano chegou á Baixa.
(foto: © www.facebook.com/daTerra)

Base
Quem viu a Praça Lisboa e quem a vê agora nem quer acreditar. Pelas melhores razões. De um local completamente desaproveitado nasceu o Passeio dos Clérigos, com lojas, restaurantes e o primeiro Costa Café de rua em Portugal. Mas tudo isto já é muito 2013. O que abriu há cerca de seis meses foi o Base, café-bar com esplanada rodeada de jardim e que serve cocktails, sumos naturais, chás gelados, tostas, sanduíches, saladas, tapas e sobremesas. Para alimentar a alma, não faltam sessões de DJ set gratuitas. Quando está bom tempo, às mesas e cadeiras juntam-se almofadas, para quem prefere ficar na relva.
Jardim do Passeio dos Clérigos. 91 007 6920

base porto clérigos

Um ótimo sítio para relaxar nos meses mais quentes. (foto: © Divulgação)

Antiqvvm
Cozinha de autor, extensa carta de vinhos, vista de cortar a respiração. Não se pedia menos para o novo restaurante do Solar do Vinho do Porto. O Antiqvvm tem a mão certeira de Vítor Matos, chef com Estrela Michelin que esteve à frente do Largo do Paço, em Amarante. Também por isso os preços são diferentes dos falados até aqui — o menu de degustação custa 75€, mas se pedir à carta consegue comer por menos. O Antiqvvm abriu portas em outubro e uma visita ao espaço dá garantias de um bom começo de ano.

Rua de Entre Quintas, 220. 22 600 0445

antiquum solar vinho do porto

A vista não corta o apetite, mas talvez corte um bocadinho a respiração.
(foto: ©Joaquim Norte de Sousa / Divulgação)

BaixóPito
Se há negócio que não falta na Rua da Picaria, entre a Avenida dos Aliados e a Praça Carlos Alberto, é o da restauração. Mas chamamos a atenção para mais um, aberto no ano que agora terminou: BaixóPito. Pito é uma forma mais coloquial de se referir ao frango e é essa carne que aqui se encontra com fartura. O forte é o frango assado, a baixa temperatura, com variantes como asinhas de frango e moelas. Mais recentemente, os responsáveis da casa lançaram uma cerveja artesanal única chamada “D’os Diabos”.
Rua da Picaria, 61. 22 319 2777

baixopito

A esplanada interior do BaixóPito (foto: © facebook.com/Baixopito)

Cruel
“A vida pode ser cruel, a comida não”. O lema do restaurante Cruel, que abriu em agosto, é levado à letra. E acrescentaríamos também que a vida não pode ser monótona. É o que se sente ao ler um menu com “risoto de cogumelos em alucinação”, “bolas de berlim com mousse de salmão e creme de wasabi” e “orelha de elefante com arroz de tomate”. A lista de pratos criativos de autoria do chef Luís Américo (Cantina 32) continua. E os clientes também continuam a sentar-se, e muito bem, à mesa.
Rua da Picaria, 86, 22 201 0326

cruel tábua happy hour

De terça a sábado o Cruel tem happy hours em que serve tábuas como esta.
(foto: © facebook.com/cruelrestaurante)

Ostras & Coisas
Quando pensamos em marisco, o GPS mental manda-nos logo para Matosinhos. Mas agora também nos podemos deixar ficar pela Baixa. Em fevereiro abriu o Ostras & Coisas, uma marisqueira onde é possível ver a montra do peixe fresco tal como se estivesse no mercado. Não é fácil resistir às ostras, ao camarão tigre, nem ao arroz de linguado. A solução é simples: não resistir. É mais dado às carnes? Não é por isso que tem de ficar à porta. No menu há um prego de filet mignon que é uma pérola. Sem ostra.
Rua da Fábrica, 73. 22 328 0527

Wish
Por falar em peixe, em 2014 a tempestade no mar levou um dos melhores restaurantes de sushi do Grande Porto, o Shis. Como se não bastasse, em março de 2015 um incêndio destruiu o que restava da infraestrutura, onde tanta gente comeu no passado com vista para o oceano. Mas eis que o Shis renasceu das cinzas sob a forma de Wish. O novo restaurante ocupou o antigo Oporto e já não tem aquela vista deslumbrante sobre o mar, mas o sabor mantém-se. E isso é o mais importante.
Largo da Igreja da Foz, 105-107. 91 237 5313

A Presuntaria
Na zona da Praça dos Poveiros, a concorrência dos petiscos é forte. De um lado estão as sandes de pernil da Casa Guedes, mesmo na praça. Ali bem perto ficam os famosos pregos com queijo da serra do Venham mais Cinco e os cachorrinhos do Gazela. Sem medo da concorrência, Alberto Fonseca, o feliz proprietário do bar Tendinha dos Clérigos, instalou ali em maio A Presuntaria. Não tem nada que enganar: há tábuas de enchidos e queijos, sandes de presunto de Trás-os-Montes, caldo verde, broa e muito vinho para empurrar. Quando está bom tempo, a esplanada é outra das atrações.
Praça dos Poveiros, 53. 22 201 1596

Nut’Porto

Muffin de Nutella com recheio de Nutella. Bola de Berlim com Nutella. Choco kebab (com Nutella). Por esta altura, qualquer amante do famoso creme italiano de avelã e cacau estará, porventura, a babar o respetivo teclado, tablet ou smartphone. É natural. Saibam, então, que desde setembro último se pode provar tudo isto no Porto. A abertura da primeira nuteleria, no final de 2014, em Leiria, causou tamanha loucura gulosa que depressa se abriram franchisings por todo o país. No início, a loja do Porto atraiu filas intermináveis, mas agora já é mais fácil provar lambarices como os churritos, palitos de massa em forma de churros que depois se podem molhar no famoso creme de chocolate.
Rua das Flores, 50

Santini
Quando finalmente a gelataria mais famosa de Lisboa e Cascais abriu no Porto, em junho, pudemos exclamar: Habemus Santini, carago. Seja fruta ou chocolate, os gelados criados há quase 67 anos pelo italiano Attilio Santini fazem as delícias de portugueses e turistas. Felizmente, o atendimento é rápido e as filas vão andando depressa.
Largo dos Loios, 17. 22 201 1692

Já agora, às portas do inverno também nasceu, na Rua dos Clérigos, a gelataria Ice Lovers. Vale a pena passar por lá, sobretudo às sextas e sábados, altura em que as funcionárias estão vestidas de noivas — uma homenagem ao negócio que ali funcionou durante muitos anos, a loja de noivas Teia.

Para comprar

O Lambareiro
A venda e o consumo de produtos regionais estão em alta nos grandes centros urbanos, tal é a saudade do passado e dos sabores autênticos. É nisso que o novo O Lambareiro aposta, seja pelos biscoitos, pelas geleias, compotas, licores, vinho do Porto, cervejas artesanais, infusões, chocolataria vintage e ilustrada. O espaço abriu em novembro e ainda é pouco conhecido entre os portuenses.
Rua Formosa, 218A. 96 196 2557

O Lambareiro

O Lambareiro. (foto: ©Rui Oliveira / Global Imagens)

Mercearia do Miguel
Numa altura em que as mercearias de bairro estão à mercê das grandes superfícies e da especulação imobiliária, é com alegria que olhamos para a Mercearia do Miguel. Situada na Foz desde 1958, o que era uma mercearia de bairro normal transformou-se desde que Nuno Felgar Ferreira e Teresa Valle decidiram pegar no projeto. Os dois deram-lhe outra apresentação e, à venda das frutas, legumes, produtos alimentares genéricos, enchidos, queijos, vinhos, generosos e cervejas juntaram a vertente de degustação dos mesmos produtos vendidos no local. O espaço é muito agradável e tem uma pequena esplanada à entrada.
Rua do Passeio Alegre, 130. 22 011 6889

Um espaço cultural

O que outrora foi um armazém da Real Companhia Velha onde se podia degustar vinho é hoje um espaço multifacetado onde se pode continuar a fazê-lo. Só que em condições totalmente diferentes. Isto porque no primeiro semestre de 2015, o empresário Batata Cerqueira Gomes transformou o armazém…em Armazém. Lá dentro ergueu um bar, estruturas para lojas como a Mexxca e a R&B, onde se encontram livros e antiguidades, e um espaço pronto a receber exposições, workshops, DJs e também eventos privados.
Rua de Miragaia, 93. 22 2011 702. Aberto todos os dias entre as 11h30 e as 20h00.

Armazem miragaia

Neste Armazém há bar, lojas e cultura. (foto: ©www.facebook.com/armazem93)

Uma parede

O poder local já percebeu que a arte urbana pode tornar as cidades mais bonitas. Ao olharmos para a mais recente obra que Daniel Eime pintou na fachada de um prédio no Largo Artur Zarco, junto à Alfândega do Porto, temos cada vez mais certezas de que é uma aposta vencedora. O artista, que em breve vai fazer 30 anos, pintou, em novembro, o rosto de uma idosa numa zona envelhecida de Miragaia, que agora ‘vê’ quem passa junto ao Douro e quem se deixa ficar na esplanada.

daniel eime arte urbana miragaia

Stencil de Daniel Eime em Miragaia. (foto: ©www.facebook.com/eimeworks)

*Artigo corrigido a 8 de janeiro: o espaço Armazém é da responsabilidade de Batata Cerqueira Gomes e não de Mário Ferreira, como foi referido na versão original.

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