O Podemos e o Ciudadanos são os dois partidos “emergentes” de Espanha, mas por aí ficam as semelhanças. De resto, são muitos os temas que os separam — mesmo que, perante a importância que a questão catalã assumiu depois das eleições terem levado a um impasse, o debate político se tenha centrado inequivocamente naquele assunto. Para tal contribuiu o facto de o Podemos garantir que só ajudará a formar um governo do PSOE caso seja realizado um referendo na Catalunha.

Agora, o Ciudadanos garante que mesmo que o Podemos abra mão do referendo na Catalunha, o Ciudadanos não contribuirá para a soma do PSOE com o partido de Iglesias — uma conta para a qual seria útil e indispensável para os independentistas ficarem fora das conversações.

“O Podemos teria de deixar de ser o Podemos”, disse ao El País uma fonte do Ciudadanos. “Teria de se converter num partido social-democrata, o que é impossível.”

Também Albert Rivera, presidente do Ciudadanos, apontou nesse sentido. “Há outras diferenças de caráter social, económico e constitucional (…). Nao é só o referendo”, disse. E, com um discurso muito próximo daquele que foi feito por Rajoy na sexta-feira, lançou críticas a um eventual executivo de Sánchez e os partidos independentistas e à sua esquerda: “Estamos a falar de um governo formado por oito ou nove partidos políticos e sabemos como são alguns deles. Na Catalunha há ua coligação a três e já custava bastante perceber quem mandava, quanto mais ter oito, nove ou dez partidos a formar um governo. Para mim é ficção política”.

Esta foi a primeira vez que Rivera riscou as hipóteses de estender a mão a uma solução do Podemos mesmo que o partido de Pablo Iglesias esqueça o referendo. Anteriormente, numa entrevista ao El Mundo antes das eleições, Rivera rejeitou recorrer ao Podemos caso subisse ao poder — nessa altura as sondagens colocavam o Ciudadanos próximo do primeiro lugar, mas os resultados acabaram por não são ser tão generosos quanto isso, com os laranjas a ficar em quarto lugar com 13,9%.

Nessa entrevista, feita poucos dias antes das eleições de 20 de dezembro, Rivera disse:

“Iglesias disse que a realização de um referendo separatista na Catalunha é uma condição para apoiar um governo. Como entenderá, eu não posso ter andado oito anos a dar cara na Catalunha para agora ser o Presidente que convoca um referendo para partir Espanha. Seria surreal. Não podemos nem quero conta com o Podemos se puder formar governo, porque nos coloca uma condição que desmonta um pilar fundamental como o da soberania nacional.”