O secretário-geral da Renamo, Manuel Bissopo, foi baleado esta quarta-feira por desconhecidos na cidade da Beira, centro de Moçambique, e corre risco de vida, disseram à Lusa fontes do maior partido de oposição.

O secretário-geral da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) e deputado foi atingido a tiro quando acabava de realizar uma conferência de imprensa na Beira, tendo o seu guarda-costas morrido no local, informaram o porta-voz do partido, António Muchanga, e a líder parlamentar da força de oposição, Ivone Soares.

Contactado pela Lusa, o porta-voz do comando geral da Polícia da República de Moçambique (PRM) disse desconhecer o caso e o comando da força policial na província de Sofala apenas confirmou a ocorrência de um tiroteio no bairro da Munhava, na cidade da Beira, sem mencionar o envolvimento do dirigente da Renamo.

A Polícia moçambicana na Beira, centro do país, garantiu estar a tentar esclarecer um tiroteio no bairro da Munhava, onde foi baleado o secretário-geral da Renamo, embora não confirme a identidade das vítimas.

“Até então nós não confirmamos [o baleamento de Manuel Bissopo]” declarou à Lusa Daniel Macuácua, porta-voz do comando provincial da Polícia de Sofala, adiantando apenas que foi registado um tiroteio no bairro da Munhava e admitindo que não tem informação sobre a identidade das vítimas.

“As equipes todas estão despachadas para o terreno”, assegurou Daniel Macuácua, remetendo pormenores para mais tarde.

O secretário-geral da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), Manuel Bissopo, foi baleado no princípio da tarde de hoje na Beira, tendo o seu segurança morrido no local.

“O secretário-geral foi baleado, está neste momento no hospital, e uma das pessoas que o acompanhava perdeu a vida e outros dois saíram ilesos”, disse à Lusa António Muchanga, porta-voz da Renamo, principal partido da oposição.

Também a líder da bancada parlamentar da Renamo, Ivone Soares, disse que o dirigente da força de oposição e deputado foi atingido a tiro, acusando o Governo da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), partido no poder, de “terrorismo de estado”, embora seja desconhecida a identidade dos atiradores.

Manuel Bissopo encontrava-se hoje ao fim da tarde internado numa clinica privada na Beira, depois de ter sido baleado numa das ruas do bairro da Munhava, bastião da oposição, quando saía de uma conferência de imprensa na delegação da cidade do partido.

“Ele denunciou e condenou as atrocidades que têm acontecido na Beira e Nhamatanda. Há nossos chefes de mobilização que foram raptados e apareceram mortos no distrito de Gorongosa. Um outro membro também foi carregado e apareceu morto noutro sitio”, disse à Lusa António Muchanga.

A Frelimo e a Renamo tem estado a acusar-se mutuamente de sequestro e abate dos seus dirigentes na província de Sofala.

Moçambique vive uma situação de incerteza política há vários meses e o líder da Renamo ameaça tomar o poder em seis províncias do norte e centro do país, onde o movimento reivindica vitória nas eleições gerais de 2014.

O paradeiro de Afonso Dhlakama é alvo de debate uma vez que não é visto em público desde 09 de outubro, quando a sua residência na Beira foi invadida pela polícia, que desarmou e deteve, por algumas horas, a sua guarda.

Nos pronunciamentos públicos que tem feito nos últimos dias, Dhlakama afirma ter voltado para Sadjundjira, distrito de Gorongosa, mas alguns círculos questionam a fiabilidade dessa informação, tendo em conta uma alegada forte presença das forças de defesa e segurança moçambicanas nessa zona.

A Renamo pediu recentemente a mediação do Presidente sul-africano, Jacob Zuma, e da Igreja Católica para o diálogo com o Governo e que se encontra bloqueado há vários meses.

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, tem reiterado a sua disponibilidade para se avistar com o líder da Renamo, mas Afonso Dhlakama considera que não há mais nada a conversar depois de a Frelimo ter chumbado a revisão pontual da Constituição para acomodar as novas regiões administrativas reivindicadas pela oposição.

Estado preocupante

Horácio Calavete, chefe da mobilização da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) na Beira, disse que a última informação clínica indicava que uma das balas perfurou a barriga, tendo atravessado os pulmões e se alojou entre duas costelas, carecendo de uma cirurgia especializada.

O dirigente da Renamo adiantou que o secretário-geral do seu partido e deputado se mantinha numa clínica privada da Beira, sem confirmar informações que dão conta da possibilidade de Bissopo ser transportado para a África do Sul.

Ao contrário de informações que davam conta de que Bissopo tinha sido atingido no bairro da Munhava, um bastião da oposição, o incidente ocorreu no bairro da Ponta Gea, centro da Beira, quando saía de uma conferência de imprensa para denunciar alegados raptos e assassínios de quadros da Renamo.

Segundo jornalistas locais ouvidos pela Lusa, os atiradores, que se faziam transportar em duas viaturas, bloquearam o carro em que seguia Bissopo e abriram fogo.

À entrada da clínica, Bissopo estava consciente e fez uma curta declaração à imprensa, descrevendo o incidente.

“Estava a passar em frente dos serviços de viação. Vi um carro de dupla cabine a virar e alguém a tirar uma [arma automática] Kalashnikov e disparar. Me atingiram”, disse Bissopo.

O guarda-costas do secretário-geral da Renamo morreu no local, tendo os outros ocupantes da viatura sofrido ferimentos ligeiros.

A polícia na Beira disse que continua a trabalhar para esclarecer o caso, sem mencionar o envolvimento do secretário-geral da Renamo nem de outros membros do partido.

A Frelimo e a Renamo têm vindo a acusar-se mutuamente de sequestro e assassínio dos seus dirigentes na província de Sofala.

Moçambique vive uma situação de incerteza política há vários meses e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, ameaça tomar o poder em seis províncias do norte e centro do país, onde o movimento reivindica vitória nas eleições gerais de 2014.

Afonso Dhlakama não é visto em público desde 09 de outubro, quando a sua residência na Beira foi invadida pela polícia, que desarmou e deteve, por algumas horas, a sua guarda.

Nos pronunciamentos públicos que tem feito nos últimos dias, Dhlakama afirma ter voltado para Sadjundjira, distrito de Gorongosa, mas alguns círculos questionam a fiabilidade dessa informação, tendo em conta uma alegada forte presença das forças de defesa e segurança moçambicanas nessa zona.

A Renamo pediu recentemente a mediação do Presidente sul-africano, Jacob Zuma, e da Igreja Católica para o diálogo com o Governo e que se encontra bloqueado há vários meses.

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, tem reiterado a sua disponibilidade para se avistar com o líder da Renamo, mas Afonso Dhlakama considera que não há mais nada a conversar depois de a Frelimo ter chumbado a revisão pontual da Constituição para acomodar as novas regiões administrativas reivindicadas pela oposição.