Juros

Países lusófonos: duplicaram juros da dívida

Os juros exigidos pelos investidores para transacionarem dívida pública dos países lusófonos estão mais caros. Baixo preço do petróleo, abrandamento chinês e dólar mais caro explicam.

JOS

Os juros exigidos pelos investidores para transacionarem dívida pública dos países lusófonos estão a ficar mais caros por causa do baixo preço das matérias-primas, principalmente petróleo, do abrandamento chinês e do dólar mais caro.

“Os juros da dívida destes países escalaram muito no último ano e não foi só por causa da descida do preço do petróleo; a isso juntou-se a queda do preço das matérias-primas, também provocada pelo abrandamento da economia chinesa que tem como efeito a menor procura de matérias-primas oriundas destes países”, disse à Lusa o diretor de investimentos do Banco Carregosa.

Para João Pereira Leite, o panorama dos últimos dois anos agravou-se também com a subida do valor do dólar: “a dívida internacional está em dólares, logo fica mais cara para as economias que vivem com uma moeda local”, afirmou o responsável deste banco de investimento português.

A última emissão de dívida internacional de um país lusófono foi feita em novembro, por Angola, obrigada a suportar um juro de 10,5% para garantir mil milhões de dólares de financiamento e assim colmatar o desequilíbrio orçamental motivado pela descida das receitas.

Nos últimos três meses, o valor desta emissão caiu quase 20%, e os juros subiram de 5%, em janeiro de 2014, para 10,5% no final do valor do financiamento, em 2020.

Em Moçambique, a única emissão atualmente no mercado vence dentro de quatro anos, e está atualmente com um taxa de juro de 12,5%, quando há dois anos pagava apenas 7% aos investidores que quisessem transacionar dívida pública do país.

No Brasil, o panorama é semelhante: uma emissão que atinge a maturidade em 2023 está a pagar um juro de 16,5%, quando a mesma emissão, em 2014, pagava apenas 12%.

O grande salto do custo da dívida aconteceu não com as eleições presidenciais, mas sim em agosto do ano passado, desencadeado pela crise na China, o maior parceiro comercial do Brasil, nota o gestor de investimentos português.

A boa notícia, diz João Pereira Leite, é que estes são “países pouco endividados, por isso não há mesmo comparação com os países desenvolvidos”, onde uma taxa de juro de 7% é encarada pelo mercado como um primeiro passo para a necessidade de ajuda externa.

Outro dos aspetos positivos para estes países é a baixa relação entre o montante da dívida pública e a riqueza produzida no país. Enquanto em Portugal esse rácio é de 130%, “Moçambique tem um rácio de dívida pública face ao PIB de 60%, sendo que a maior parte da dívida está assegurada no mercado interno, e em moeda local”, diz o diretor de investimentos do Banco Carregosa.

Em Angola este rácio é de 35%, no Brasil não chega aos 50% e na Guiné Equatorial, um dos países que enfrenta uma recessão mais profunda este ano, o valor não chega aos 20%.

As finanças destes países lusófonos que têm emissões em curso no mercado internacional – Angola, Brasil e Moçambique – estão pressionadas pela descida do preço das matérias-primas, principalmente petróleo, uma das principais fontes de receitas, que começou a cair no verão de 2014 de mais de 100 dólares por barril para a casa dos 30 no princípio deste ano.

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