Roma

Veni, vidi, vici. Roma será liderada, pela primeira vez na história, por uma mulher

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A candidata do Movimento 5 Estrelas conseguiu 67,2% dos votos nas segunda volta das autárquicas italianas. O partido criado pelo comediante Beppe Grillo venceu também as eleições em Turim.

O Movimento 5 Estrelas foi criado em 2009 pelo comediante italiano Beppe Grillo

AFP/Getty Images

Virgina Raggi, uma advogada de 37 anos, é a primeira mulher a ser eleita presidente da câmara da cidade de Roma, em Itália. A segunda volta das eleições autárquicas em Roma aconteceu este domingo.

A candidata pelo Movimento 5 Estrelas — um partido fundado em 2009 pelo humorista italiano Beppe Grillo — conseguiu 67,2% dos votos na segunda volta das autárquicas, contra Roberto Giachetti, o candidato do Partido Democrático — partido do atual primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi. Giachetti conseguiu apenas 32,8% dos votos em Roma.

No seu discurso de vitória, Raggi afirmou:

Pela primeira vez, Roma tem uma presidente da câmara mulher numa época em que a igualdade de oportunidades ainda é uma miragem.”

A candidata do 5 Estrelas afirmou ainda que seria uma “presidente da câmara para todos os habitantes de Roma” e que irá restaurar a “legalidade e transparência às instituições da cidade depois de 20 anos de fraca governação”.

O 5 Estrelas foi criado como uma consequência da crise económica, tendo recebido um quarto dos votos nas eleições nacionais de 2013. No entanto, foi incapaz, até estas eleições locais, de “sacudir” a sua reputação como um partido de protesto, segundo o The Guardian. Agora os seus bons resultados podem catapultar esta força populista, colocando pressão sobre o Partido Democrático, do primeiro-ministro Renzi.

Virginia Raggi irá liderar uma cidade que esteve sem um presidente da câmara durante oito meses, depois de Ignazio Marino se ter demitido do cargo devido a uma escândalo relativamente a despesas que o envolveu a si e à sua administração. Durante esse período de vacância, Francesco Paolo Tronca foi escolhido como comissário extraordinário para supervisionar a administração de Roma.

Durante a sua campanha, a luta contra a corrupção foi um dos pontos mais debatidos por Raggi. A nova presidente da câmara criticou ferozmente o escândalo do “capital mafioso”, no qual foi revelado que muitos dos trabalhadores da câmara estavam envolvidos no roubo de milhões de euros ao estado italiano. Esta burla levou a cortes nos transportes públicos e na recolha de lixo, causando grandes protestos por parte dos cidadãos de Roma.

Raggi terá também de enfrentar um ambiente político maioritariamente regida por homens, onde muitas vezes as mulheres não são levadas a sério. Pouco antes da primeira volta das autárquicas, Silvio Berlusconi – antigo primeiro-ministro italiano – recusou-se a apoiar a candidata Giorgia Meloni, afirmando que o facto de a jornalista estar grávida a tornava menos apta para um cargo público.

A nova presidente da câmara tem enfrentado várias críticas, sendo que a maior parte das vezes é referida a sua inexperiência, já que Raggi se tornou deputada apenas em 2013, motivo pelo qual não acreditam que será capaz de transformar Roma.

Roberto Giachetti aceitou a derrota uma hora antes de os resultados finais terem sido revelados.

(Tradução do tweet acima: “Apresento os meus parabéns e desejo boa sorte à Virginia Raggi. Sei quão difícil tem sido. Obrigado a todos. O meu compromisso com Roma continua”)

Uma das grandes surpresas da noite aconteceu quando se descobriu que o candidato do Partido Democrático em Turim, Piero Fassino, perdeu para outra candidata do Movimento 5 estrelas, Chiara Appendino.

Na primeira volta das eleições autárquicas, Fassino ficou onze pontos à frente da candidata pelo partido de Beppe Grillo. No entanto esta tendência alterou-se no domingo, quando Appendino reuniu 54,6% dos votos, contra 45,4% do seu adversário, informa o El País.

No seu discurso de vitória, Appendino afirmou que se abria uma “nova era” na política italiana, segundo o La Repubblica.

(Tradução do tweet acima: “Fizemos história”)

Em Milão, Giuseppe Sala manteve a vantagem sobre o candidato apoiado pelo Forza Italia e pela Liga Norte, Stefano Parisi, sendo eleito com 51,7%. O candidato do Partido Democrático tinha tido 41,7% dos votos na primeira volta.

Em Nápoles, o anterior presidente da câmara Luigi de Magistris manteve o seu cargo, conseguindo 66,8% dos votos, contra os 32,2% dos votos conseguidos pelo candidato de centro-direita Alberto Littieri.

Bolonha viu o candidato do Partido Democrático, Virginio Merola, vencer as eleições com 54,69% dos votos, contra os 45,31% conseguidos por Lucia Borgonzoni, a candidata apoiada pela Forza Italia e pela Liga Norte.

Ao todo, apenas 54% dos italianos aptos a votar dirigiram-se às urnas este domingo, menos 11 pontos do que na primeira volta.

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