A líder do partido de extrema-direita francês Frente Nacional pediu esta quinta-feira a suspensão imediata das negociações de adesão à União Europeia (UE) da Turquia, país que, segundo a eurodeputada, enfrenta atualmente uma “loucura depuradora” sem limites.

“A loucura depuradora do Governo islâmico de Ancara não conhece limites e derruba um a um os últimos pilares da democracia turca, conduzindo o país para o caminho de uma ditadura confessional”, disse Marine Le Pen num comunicado, sublinhando que encarou como uma provocação a manutenção do processo negocial entre a Turquia e Bruxelas.

Na sequência da tentativa de golpe militar, de 15 de julho, o executivo turco declarou o estado de emergência e desencadeou uma purga em diversos organismos estatais e setores da sociedade turca para localizar os alegados seguidores de Fethullah Gülen, o clérigo e opositor exilado nos Estados Unidos e que Ancara acusa de ter patrocinado o golpe.

Na mesma nota, Marine Le Pen frisou que a UE iniciou as negociações de adesão “contra a opinião dos povos” e destacou que o processo “já custou muito aos contribuintes franceses que nunca foram consultados”.

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A líder da Frente Nacional indicou que será “intolerável e inaceitável” se a Comissão Europeia “mantiver um silêncio cúmplice perante um poder agarrado ao despotismo, que atropela sem vergonha a democracia e o Estado de Direito”, princípios inscritos nos critérios de adesão.

Especialmente quando, segundo apontou a eurodeputada, a Comissão Europeia “acreditou que podia intrometer-se e criticar de forma escandalosa a opção soberana dos eleitores britânicos no referendo do ‘Brexit’ [nome como é conhecido o processo da saída britânica da UE]”.