Um ano depois de umas legislativas que levaram a quase dois meses de impasse político, o PS está à frente na intenção de voto dos portugueses e com um intervalo mais alargado do que na sondagem anterior, feita pela Eurosondagem para o Expresso e SIC. Mas a ginástica política exigida a António Costa continuaria hoje a ser a mesma que nos dias que se seguiram àquela noite de 4 de outubro de 2015.

O PS foi o partido que deu segundo o maior salto registado entre os partidos com assento parlamentar, com mais 0,5 pontos percentuais do que na sondagem de agosto, conseguindo hoje 36% das intenções de voto dos portugueses, um valor muito próximo do que o PSD (mas coligado com o CDS) conseguiu nas últimas legislativas (36,8%). Curiosamente, se as eleições fossem hoje e a julgar pelos números divulgados pelo Expresso, os sociais-democratas (sem o CDS em coligação) teriam 32,1%, um valor que é quase igual ao que o PS (32,3) teve nas mesmas eleições. Uma troca de posições que, no entanto, não muda nada relativamente à incapacidade de um partido conseguir uma maioria absoluta, o que voltaria a exigir um processo negocial intenso.

No entanto, o PS segue uma tendência de crescimento volta a verificar-se em setembro, no sentido contrário ao PSD que caiu 0,4 pontos face ao mês passado. Mas o partido que o maior tombo deu neste estudo foi o Bloco de Esquerda, com menos 0,8 pontos do que em agosto, recolhendo agora 8,2% da intenção de voto dos portugueses. O BE viu ainda a CDU, a outra força à esquerda do PS, a a subir 0,3 pontos, para 8,1%, quase apanhando o partido liderado por Catarina Martins.

O CDS surge avaliado isoladamente (já que a coligação se dissolveu no dia seguinte às eleições), com 6,9% na intenção de voto, o maior salto que um partido deu neste estudo feito entre 7 e 14 de setembro. No último sábado, dia 10 de setembro (dentro do intervalo de tempo em que foi realizada a sondagem), a líder do CDS anunciou a sua candidatura à Câmara Municipal de Lisboa.

Aliás, Assunção Cristas também aparece destacada quando se mede a popularidade dos líderes políticos, estando entre os que mais subiram neste último mês. A sua popularidade cresceu tanto como a do primeiro-ministro António Costa (1,2 pontos) que é o segundo da lista, logo depois de Marcelo Rebelo de Sousa, cujo saldo de popularidade está nos 57,7. Salto maior do que o de Cristas e Costa foi apenas conseguido por Jerónimo de Sousa. No período da rentrée política — que o PCP marca com a festa do Avante –, comunista teve mais 1,3 pontos do que no mês de agosto.

O estudo de opinião foi feito com base em 1009 entrevistas telefónicas validadas (para telefones fixos), de um total de 1196 tentativas. Foram inquiridas pessoas com mais de 18 anos, 20% a Norte do país, 29,7% do Centro e 10% do Sul. A margem de erro da amostra é de 3,08%.