Dakota Johnson foi vestida de estatueta, Emma Stone ofuscou. Ambas escolheram vestidos dourados para pisar a passadeira vermelha da 89ª passadeira dos Óscares — uma ficará na lista das mais mal vestidas, outra na das melhores escolhas. Uma coisa é certa: numa cerimónia marcada por mensagens políticas e um erro épico, no que toca a vestidos poderia ser criada uma nova hashtag: #ohsogold.

Emma Stone em Givenchy, Dakota Johnson em Gucci, Jessica Biel em Kaufman Franco, Nicole Kidman em Armani Privé, Chrissy Teigen em Zuhair Murad e Halle Berry em Atelier Versace são as atrizes que resolveram condizer com o galardão dos prémios da Academia. E se em 2016 a tendência apontou para vestidos de princesas Disney ou sereia, este ano houve muitas silhuetas vintage e românticas, mangas compridas, algumas franjas e o branco da praxe.

Ruth Negga foi das primeiras a chegar e marcou o tom com o seu Valentino vermelho, num look monocromático apenas cortado pelo alfinete azul da ACLU (American Civil Liberties Union), uma associação de defesa dos direitos civis — alfinete esse que se viu em mais alguns dos convidados. Deslumbrante esteve Hailee Steinfeld, num Ralph & Russo semi-transparente e florido, assim como Nicole Kidman e a modelo Karlie Kloss, embora o seu Stella McCartney fizesse lembrar demasiado o lindíssimo Tom Ford que Gwyneth Paltrow usou em 2012.

Nas escolhas mais infelizes, a par do vestido-estatueta de Dakota Johnson, Alicia Vikander voltou a desiludir, assim como Scarlet Johanson. E Charlize, Charlize, o que aconteceu? Normalmente entre as mais bem vestidas, a atriz escolheu um Dior metalizado que não lhe assentou bem (embora estivesse entre as nossas escolhas para a grande noite).

Para o bem ou para o mal, foi um visual dramático aquele com que Janelle Monáe desfilou na passadeira vermelha. Na primeira viagem à cerimónia dos Óscares, a atriz e cantora, que entra nos filmes “Moonlight” e “Elementos Secretos”, não se conteve: o vestido Elie Saab escolhido com a ajuda da estilista Maeve Reilly deu nas vistas. E por pouco não cabia na porta do Dolby Theatre.

Afinal, o que vestiu Meryl Streep?

“Bonito vestido, é um Ivanka?”, perguntou o apresentador Jimmy Kimmel a Meryl Streep no início da cerimónia. A piada óbvia — fazendo referência à marca da filha de Donald Trump — soltou gargalhadas um pouco por todo o Dolby Theatre. Streep sorriu, mas não respondeu. Caso tivesse dito algo, teria contado que as calças-vestido que optou levar à 89º edição dos Óscares tinham a assinatura da marca Elie Saab e estavam bem longe de um muito comentado Chanel.

Meryl Streep a chegar ao Dolby. (Foto: Ben Peterson/Getty Images)

De facto, havia alguma expetativa, se não muita, à volta do vestido escolhido pela atriz que já soma 20 nomeações aos Óscares, sobretudo depois do arrufo que esta teve com o designer Karl Lagerfeld. O diretor criativo da casa Chanel comentou no início da semana, durante uma entrevista à Women’s Wear Daily, que a atriz tinha rejeitado o seu vestido para usar uma criação pela qual iria receber dinheiro. Streep não gostou, nem mesmo depois de Lagerfeld ter emitido um comunicado a redimir-se da situação:

A Chanel conversou com a estilista de Streep, a pedido da atriz, para que a marca desenhasse um vestido para ela levar aos Óscares. Depois de uma conversa informal, eu entendi erradamente que Meryl Streep poderia ter escolhido outro designer devido à remuneração, o que a equipa da atriz confirmou não ser o caso. Lamento toda esta controvérsia e desejo que a sua 20º nomeação aos Óscares corra bem.”

Apesar do pedido de desculpas, Streep não se deixou ficar e acusou o ilustre designer de ter mentido e de ter difamado a sua imagem. Num comunicado enviado à revista People, a atriz afirmou que a história ganhou contornos globais e acabou por abafar a “honra que é bater um recorde junto dos média, dos colegas e do público”. “Eu não encaro isto com leveza”, afirmou ainda a atriz, declarando que o comunicado “genérico” do designer não representava um pedido de desculpas. “Ele mentiu, publicaram a mentira dele e eu ainda estou à espera.”

Streep, nomeada ao Óscar de Melhor Atriz pelo seu trabalho em “Florence — Uma Diva Fora de Tom”, recebeu as dicas de estilo da stylist Micaela Erlanger, que a ajudou a escolher uma peça em azul meia-noite, com um decote na linha dos ombros e detalhes bordados — uma escolha que não é das que mais favorece a atriz, mas que vai em linha de conta com o que o costuma usar.

Na fotogaleria fique a conhecer os melhores e os piores vestidos da 89ª edição dos Óscares.

Artigo atualizado às 15h00.