A exposição A Cidade Global: Lisboa no Renascimento, patente no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa, desde 23 de fevereiro, já recebeu 27.502 visitantes, anunciou esta segunda-feira o gabinete de comunicação do MNAA. O número foi registado até às 18h do passado domingo, 26 de março.

A Cidade Global: Lisboa no Renascimento reúne quase 300 peças de vários museus e coleções privadas que ajudam a contar a história da Lisboa do XVI e, mais precisamente, da Rua Nova dos Mercadores, uma antiga rua lisboeta que desapareceu depois do Terramoto de 1755. No centro da exposição está o quadro Vista da Rua Nova dos Mercadores (pintado entre finais do século XVI, inícios do século XVII), que pertenceu ao pintor inglês Dante Gabriel Rossetti.

Annemarie Jordan Gschwend, curadora da exposição, junto ao quadro da “Vista da Rua Nova dos Mercadores” (ANDRÉ MARQUES/OBSERVADOR)

A pintura, que permaneceu no interior da antiga casa de campo do poeta em Oxfordshire durante quase dois séculos (o quadro nunca tinha saído de Inglaterra até ser emprestado ao MNAA), foi identificada como sendo uma vista da antiga rua lisboeta em 2009, por Annemarie Jordan Gschwend e Kate Lowe. Apesar das certezas das duas historiadoras (em entrevista ao Observador, Annemarie Jordan Gschwend garantiu não ter qualquer dúvida em relação ao quadro), há quem defenda que a pintura é uma falsificação do século XIX.

Essa dúvida foi levantada pelo historiador Diogo Ramada Curto, num artigo publicado no Expresso dias antes da inauguração, onde também questionou a veracidade de uma outra obra exposta em A Cidade Global que mostra também uma vista da Rua Nova dos Mercadores — O Chafariz d’El-Rey, da Coleção Berardo. A polémica gerada por Ramada Curto levou o museu a pedir aos proprietários das pinturas — Joe Berardo e a Sociedade de Antiquários de Londres –, que autorizassem a realização de uma nova peritagem. Berardo já aceitou. Em Londres, o pedido continua em análise.

A exposição está patente no MNAA até 9 de abril.