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Feira do Livro de Lisboa: as novidades e os suspeitos do costume

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A Feira do Livro de Lisboa regressa ao Parque Eduardo VII esta quinta-feira, 1 de junho. Reunimos algumas das novidades (e não só) da edição de 2017.

A Feira do Livro de Lisboa decorre de 1 a 18 de junho, no Parque Eduardo VII

Maria Gralheiro

Quando Bruno Pacheco, secretário-geral da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), apresentou 87.ª edição da Feira do Livro de Lisboa aos jornalistas, fez questão de esclarecer que esta era a “maior Feira do Livro de sempre”.

A verdade é que, desde a criação do evento em 1930, a feira nunca foi tão grande: este ano, vai ocupar três talhões e meio do Parque Eduardo VII. Isto significa que, em 2017, a Feira do Livro de Lisboa terá mais pavilhões, mais editoras, mais restaurantes e mais espaço. Com uma Feira do Livro maior e melhor, a APEL, a entidade organizadora do evento, espera atingir o meio milhão de visitantes. Em 2016, o número rondou os 480 mil visitantes, mas já houve um ano em que se chegou aos 500 mil. Uma fasquia que a organização espera vir a ultrapassar em 2017.

A 87.ª edição da Feira do Livro de Lisboa começa já esta quinta-feira, com uma agenda preenchida e muito para fazer (e, claro, com muitos descontos para aproveitar). Reunimos algumas das novidades e também alguns dos sucessos anteriores que os visitantes vão poder encontrar no Parque Eduardo VII até 18 de junho.

Mais pavilhões, mais editoras, mais espaço

Esta é a maior Feira do Livro de Lisboa de que há memória. E não, não é brincadeira: desde que o evento foi criado em 1930, no Rossio, nunca ocupou tanto espaço como agora. Além dos três talhões já ocupados em 2016 (o Parque Eduardo VII é composto por um total de cinco), este ano a feira irá subir mais meio talhão, num total de três e meio. Isto permitiu, como é óbvio, alargar o espaço das editoras e também da restauração.

Este ano, a Feira do Livro terá 286 pavilhões, um número recorde e superior ao de 2016 (278). Relativamente ao número de participantes, também se registou um aumento: em 2017, vão estar representadas 602 marcas editoriais, mais 16 do que no ano passado. Uma das estreantes é a editora E-Primatur que, pela primeira vez, vai estar na Feira do Livro com um pavilhão próprio (C04). O mapa do evento pode ser consultado aqui.

A única coisa que diminuiu foi o número de dias. Em 2016, a feira teve 19 dias. Este ano, terá 18.

Fraldário

Uma das novidades desta edição da Feira do Livro é o fraldário. Localizado na entrada sul, o espaço terá áreas mais reservadas para a alimentação dos bebés e um muda-fraldas.

“Refrescão”: uma zona para os animais

Uma vez que a Feira do Livro de Lisboa se realiza anualmente num espaço aberto, são muitos os visitantes que se deslocam até ao Parque Eduardo VII na companhia dos seus animais. Por essa razão, este ano, a organização decidiu criar um “Refrescão”, isto é, um local onde os visitantes de quatro patas se podem refrescar e desfrutar de um momento de descanso.

O espaço fica situado na entrada sul da feira, junto ao fraldário.

Mais restaurantes (incluindo vegetarianos)

A Feira do Livro está maior, e isso permitiu introduzir novos espaços de restauração. Haverá mais restaurantes gourmet e até vegetarianos. Na conferência de apresentação da 87.ª edição do evento, o diretor, Pedro Pereira da Silva, divulgou que, “pela primeira vez, vai haver um restaurante de marisco”. E não é nenhum capricho — o objetivo é ir ao encontro dos gostos e preferências alimentares de cada um.

Mas não se assuste com a quantidade de restaurantes gourmet que vão encher o espaço (pode consultar o mapa aqui): como em anos anteriores, as farturas estão garantidas.

Uma feira dedicada aos mais pequenos

Pela primeira vez na história da Feira do Livro de Lisboa, o evento vai abrir as portas no Dia Internacional da Criança, 1 de junho, logo pela manhã, às 10h, com um programa pensado para os mais pequenos. Este, criado com a ajuda das Bibliotecas de Lisboa, arranca às 10h30 com um concerto da Orquestra Tradicional da Casa Pia e uma parada de mascotes. Também durante a manhã, o Mural de Ilustração vai receber os ilustradores portugueses André da Loba, Paulo Galindro e João Rodrigues que, ao longo do dia, irão colorir a parede com imagens alusivas ao livro, à leitura e às bibliotecas.

Ao longo de todo o dia, serão realizados jogos tradicionais e de lógica, uma oficina de reciclagem e uma de ilustração. Esta tem por objetivo aproximar a ilustração das crianças e do público em geral. O Chapitô também marcará presença neste primeiro dia de feira com várias atividades de equilibrismo, malabarismo e aéreos, que o público também poderá experimentar.

Na parte da tarde, haverá ainda uma oficina de origami, um espetáculo de magia, um espetáculo circense a cargo do Gato Ruim e dois momentos musicais — um com a Banda de Sapadores Bombeiros e outro do Conservatório de Música de Sintra, que apresentará “TUM TUM TUM. Que histórias vais contar?”, e uma peça de teatro, “O Rei Ludo vai à Feira do Livro”.

Mas a animação a pensar nas crianças não se restringe ao dia 1. A iniciativa “Acampar com Histórias” vai realizar-se entre 2 e 17 de junho e vai possibilitar que 120 crianças entre os oito e os dez anos de dormirem em plena Feira do Livro (mais precisamente na Estufa Fria). Esta experiência, já realizada em anos anteriores, inclui uma visita ao recinto, um jantar e muitas surpresas e atividades, sempre acompanhadas de boas histórias.

A hora favorita de todos: a “Hora H”

A hora favorita de todos também está de regresso em 2017: a “Hora H”, que permite comprar livros publicados há pelo menos 18 meses com o mínimo de 50% de desconto. Esta acontece a partir de dia 5 de junho, de segunda a quinta-feira na última hora da feira, entre as 22h e as 23h. No ano passado, a “Hora H” teve uma adesão de 70% das editoras participantes. Relativamente a este ano ainda não existem dados concretos, uma vez que a APEL ainda está a receber inscrições. Mas tudo indica que irá aumentar.

Algumas das marcas editoriais que aderiram ao período de descontos — que incluem A Esfera dos Livros, a Colibri ou a Cotovia –, já estão no site da Feira do Livro. A lista pode ser consultada aqui.

“Livros do Dia”

Para os que visitam a feira à procura dos melhores descontos, os chamados “Livros do Dia” também são uma boa oportunidade para comprar alguns exemplares a bom preço. Todos os dias, nos diferentes stands da feira, é possível encontrar livros em destaque com descontos que podem chegar aos 50%. E como é que pode saber quais são os “Livros do Dia”? Através do site do evento, que tem um separador exclusivamente para isso.

Debates

Parceiro da Feira do Livro de Lisboa, a Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) organizou um programa extenso, que inclui lançamentos de livros, debates e até programas ao vivo da rádio Renascença. Um desses eventos acontece no dia 3 de junho, pelas 15h30, na Praça Azul. José Rentes de Carvalho, que vai apresentar o livro Trás-os-Montes, o Nordeste, da coleção “Retratos” da FFFMS, vai estar à conversa com Henrique Raposo.

Peregrinos, de Ana Catarina e Sara Capelo, outro “Retrato” da Fundação Francisco Manuel dos Santos, será apresentado no dia seguinte, 4 de junho, com a presença das autoras, do Padre José Manuel Pereira de Almeida e Rita Sousa Rego. A conversa será moderada por José Pedro Frazão.

No dia 10, o Governo Sombra vai estar ao vivo na Feira do Livro, com transmissão em direto na TVI24. O programa começa às 19h, na Praça Azul. No dia seguinte, no âmbito do lançamento de Vale a Pena?, de Inês Fonseca Santos, vai discutir-se de onde vem a inspiração para a escrita. Na conversa vão participar António Mega Ferreira, Mário de Carvalho e também a autora, com moderação de João Paulo Cotrim. Às 15h.

A programação completa da FFMS da Feira do Livro pode ser consultada aqui.

Apresentações para os colecionadores de autógrafos

Muitas editoras aproveitam a Feira do Livro para apresentarem publicamente ou simplesmente divulgarem algumas das suas novas publicações. Por essa razão, no que diz respeito às sessões de lançamentos e autógrafos a agenda é sempre cheia e vale a pena ir consultando o calendário disponível no site do evento. Por enquanto, ainda só estão online as iniciativas agendadas para o primeiro dia da feira, mas reunimos alguns que vale a pena apontar, principalmente se gosta de colecionar autógrafos:

  • José Eduardo Agualusa vai estar na Feira do Livro nos dias 3, 4 e 15 de junho, pelas 15h30, a propósito do seu mais recente livro A Sociedade dos Sonhadores Involuntários, publicado pela Quetzal em maio.
  • Teolinda Gersão, que publicou Prantos, amores e outros desvarios em julho do ano passado pela Porto Editora, vai dar autógrafos nos dias 3 e 18 de junho, também pelas 15h30.
  • Mário de Carvalho vai passar pela feira para uma sessão de autógrafos no dia 3 de junho, pelas 16h. O motivo é a publicação de Ronda das mil belas, em 2016, também pela Porto Editora.
  • José Rentes de Carvalho vai dar duas sessões de autógrafos, a 3 (para A Sétima Onda, cuja reedição sai na semana da abertura da Feira do Livro de Lisboa) e 4 de junho (para O Meças e A Ira de Deus Sobre a Europa), às 17h30 e 15h30, respetivamente.
  • Alberto João Jardim vai estar no dia 9, pelas 18h30, na Praça Leya para uma sessão de apresentação (com autógrafos) de Relatório de Combate, o livro de memórias que publicou pela D. Quixote em abril.
  • Luis Sepúlveda vai regressar a Portugal a propósito da publicação de O Fim da História, o primeiro romance desde A sombra do que fomos (2000). O escritor chileno vai dar duas sessões de autógrafos, nos dias 10 e 11, às 15h30, no espaço Porto Editora.
  • Bruno Vieira Amaral vai passar pela Feira do Livro nos dias 10, 11 e 17 de junho, sempre às 15h30, a propósito do seu último livro, Hoje estarás comigo no paraíso, publicado pela Quetzal em abril.
  • Sérgio Godinho, que publicou Coração mais que perfeito em fevereiro, também pela Quetzal, vai dar uma sessão de autógrafos a 10 de junho, pelas 15h30.
  • José Luís Peixoto vai estar na feira no dia 11, pelas 15h30, no espaço Bertrand.
  • Afonso Cruz vai visitar a Feira do Livro de Lisboa no dia 11. Vai estar no pavilhão do grupo Penguin Random House a partir das 15h.
  • Gonçalo M. Tavares, que publicou em abril A Mulher-sem-cabeça e o Homem-do-mau-olhado, pela Bertrand, vai dar passar pela Feira do Livro no dia 15, pelas 16h.

Dar uma nova vida aos livros

Depois do sucesso das edições anteriores, a APEL e o Banco de Bens Doados vão voltar a realizar a iniciativa “Dê Nova Vida ao Livro”, com o objetivo de fomentar os hábitos de leitura, sobretudo nas camadas mais jovens.

Assim, junto à entrada sul do Parque Eduardo VII, os visitantes vão poder encontrar um pavilhão onde será possível deixar os livros que quiserem doar. Livros novos, usados, para os mais pequenos ou para os adultos — tanto faz, o que interessa é ajudar. As obras angariadas serão doadas às instituições que fazem parte da rede do Banco de Bens Doados. No ano passado, a Feira do Livro recebeu cerca de quatro mil exemplares, um número que espera vir a superar em 2017.

Além da possibilidade de doar livros, os visitantes vão poder deixar exemplares para serem reciclados no âmbito da campanha “Papel por Alimento”, que transforma papel em produtos alimentares que distribui pelos mais carenciados.

O horário da Feira do Livro é exatamente o mesmo do ano passado: está aberta de segunda a quinta-feira das 12h30 às 23h, à sexta-feira das 12h30 à meia-noite, sábados a partir das 11h até à meia-noite, e domingos e feriados das 11h às 23h.

No dia 1 de junho, a feira abre às 10h, mas a inauguração oficial acontece da parte da tarde, às 15h, na entrada sul do Parque Eduardo VII.

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ilustração de Maria Gralheiro.
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