O presidente da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC), Joaquim Leitão, disse em entrevista ao programa “Sexta às 11”, da RTP, que os problemas relacionados com o incêndio de Pedrógão Grande, que tirou a vida a 64 pessoas, “não foram seguramente as comunicações”, mesmo depois de a análise à caixa negra ter revelado falhas graves e constantes.

Apesar de todas as polémicas que envolvem a operacionalidade do SIRESP (rede de telecomunicações de emergência) durante os incêndios, Joaquim Leitão sublinhou que “o SIRESP é uma ferramenta excelente em termos daquilo que é a articulação de todos os agentes da Proteção Civil nos teatros de operações. Os nossos bombeiros estiveram no seu melhor e sofreram”, disse.

Pedrógão Grande. Caixa negra da Proteção Civil revela pedidos de ajuda sem resposta por falha do SIRESP

“Qualquer avaliação, quaisquer tomadas de considerações podem ser prematuras face às conclusões que todos esperamos e ansiamos”, disse Joaquim Leitão, sublinhando que o que se passou no incêndio de Pedrógão teve “duas situações completamente distintas”. “Temos o incêndio de Pedrógão e depois temos o fenómeno que temos de estudar”, reforçou.

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Joaquim Leitão recuperou conversas que teve com os bombeiros que estiveram a combater os fogos: “Muitos disseram: ‘Senhor Presidente, já estive em muitas operações e nunca correram tão bem [como esta]”.

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Contudo, no mesmo programa — no “Sexta às 9”, que antecede as entrevistas — houve dois bombeiros que estiveram a combater no local que, sem se identificarem, contaram versões diferentes da do presidente da ANPC. “Tudo falhou a meu ver, achei que a operação foi muito ineficaz”, disse um dos operacionais, que não deu a cara. Um segundo acrescentou que “houve uma inércia de meios, de colocação de meios, não havia movimentações” e que chegou a ver “aviões a tomarem rumos completamente diferentes dos incêndios”.

Os pedidos de socorro de pelo menos dez pessoas terão ficado sem resposta por parte dos meios de socorro no incêndio de Pedrógão Grande devido a falhas no sistema de comunicações SIRESP, segundo a fita do tempo a que os jornais Público e Jornal de Notícias tiveram acesso. Esta caixa negra revelou a incapacidade de o centro de comando transmitir informações aos operacionais no terreno, informação que foi negada pelo comandante das operações.