Emmanuel Macron

Presidente francês anuncia nova cimeira sobre o clima e espera “convencer” Trump

O Presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou a realização a 12 de dezembro de uma cimeira sobre o clima. Acordo de Paris é "irreversível", dizem todos os líderes do G20 exceto Trump.

IAN LANGSDON/EPA

O Presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou a realização a 12 de dezembro de uma cimeira sobre o clima e espera “convencer” o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, a mudar de opinião.

O Chefe de Estado francês fez estas declarações hoje em Hamburgo, no norte da Alemanha, onde decorreu a Cimeira das 20 maiores economias mundiais (G20), afirmando que a 12 de dezembro realiza-se uma nova cimeira sobre a luta contra o aquecimento global, dois anos após o Acordo de Paris sobre a matéria, alcançado no âmbito da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2015, realizada na capital gaulesa.

“A 12 de dezembro próximo, dois anos após a entrada em vigor do acordo de Paris, reunirei uma nova cimeira para encetar novas ações pelo clima, nomeadamente sobre o plano financeiro”, disse Emmanuel Macron na conferência de imprensa após o encerramento da Cimeira do G20.

O Presidente de França sublinhou que “espera” poder ainda “convencer” o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, de voltar a atrás na sua decisão de abandonar o Acordo de Paris sobre a luta contra o aquecimento global.

Assegurando que não “desesperará jamais de convencer” Donald Trump, o Presidente francês encerrou a conferência afirmando: “Confirmo-vos, pois, que espero convencê-lo”.

19 contra Trump

Todos os líderes do G20 à exceção do presidente dos EUA, Donald Trump, concordam que o Acordo de Paris é irreversível. Foi a chanceler alemã, Angela Merkel, quem confirmou, na tarde deste sábado, que o documento final da cimeira do G20, que decorreu nos últimos dias em Hamburgo, Alemanha, é bem claro relativamente ao assunto: na política ambiental, ninguém está do lado de Trump.

Esta posição do grupo que reúne as dezanove maiores economias do mundo e a União Europeia surge um mês depois de o presidente dos EUA ter anunciado formalmente que o país iria abandonar o Acordo de Paris. Na altura, Trump anunciou que o país iria “renegociar e ver se é possível alcançar um acordo que seja justo” para os Estados Unidos, mas vários líderes mundiais foram rápidos a responder: ninguém está disponível para renegociar o acordo.

O comunicado final foca-se, em parte, na desvinculação dos EUA destes acordos visando a luta contra as alterações climáticas, que são qualificadas como “irreversíveis”. Segundo noticia a AFP, foi uma forma de isolar os EUA neste assunto: “Regozijo-me muito que todos os outros chefes de Estado e governo” mantenham os acordos de Paris, declarou à imprensa a chanceler alemã Angela Merkel, anfitriã da cimeira.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos, liderados por Donald Trump, fizeram uma concessão. A declaração final diz que os Estados Unidos vão “esforçar-se para trabalhar estreitamente com outros parceiros para facilitar o seu acesso e a utilização mais apropriada e eficaz das energias fósseis e os ajudar a desenvolver energias renováveis e outras fontes de energia limpa”. Esta passagem cria uma situação inédita no G20, que valida assim o facto de um dos seus membros poder desenvolver uma política individual, contra a corrente dos outros membros.

A par das alterações climáticas, a política comercial foi o grande assunto em cima da mesa. Aliás, a imprensa internacional dá conta de que os responsáveis políticos presentes em Hamburgo passaram a noite acordados a tentar chegar a um acordo para o texto do documento final da cimeira que conseguisse conciliar as posições contraditórias dos EUA e dos restantes elementos do grupo no que toca às alterações climáticas e à política comercial.

EUA e Rússia chegam a acordo sobre cessar-fogo na Síria

Já Donald Trump falou sobre um dos momentos altos da cimeira: o encontro bilateral com Vladimir Putin. “Foi formidável”, disse Trump, antes de uma reunião com a primeira-ministra britânica Theresa May.

Washington e Moscovo divulgaram versões contraditórias sobre a reunião dos dois líderes, com os norte-americanos a afiançarem que Trump afrontou a questão sensível da alegada interferência russa nas eleições para a Casa Branca. Os russos garantiram que o presidente norte-americano “aceitou” as declarações de Putin, que negou quaisquer intromissões. Consensual entre as duas partes foi o acordo para um cessar-fogo, a partir de domingo, no sudoeste da Síria.

Trump e May encontram-se à margem da cimeira

Donald Trump e a primeira-ministra britânica, Theresa May, também se reuniram este sábado, à margem da cimeira, tendo o presidente norte-americano feito saber que a assinatura de um acordo comercial “pós-Brexit” entre os dois países estará para breve. Durante a reunião, que devia ter durado 50 minutos mas se prolongou outros 20, May não abordou a questão fulcral da cimeira — o abandono dos Estados Unidos do Acordo de Paris –, de acordo com fontes do governo britânico, apenas porque já o tinha feito anteriormente, cara a cara, durante o encontro. Durante a tarde deste sábado, aos jornalistas, a primeira-ministra revelou ter “instigado o presidente Trump a voltar a juntar-se ao Acordo”: “Continuo a esperar que os Estados Unidos o façam”.

Já Trump, aos repórteres em Hamburgo, não quis tocar no ponto, centrando as declarações sobre a conversa com May no acordo comercial e anunciando, ainda sem data, uma futura visita a Londres: “Não existem países mais próximos do que os nossos. Estamos a trabalhar num acordo comercial que será um acordo muito, muito grande, um acordo muito poderoso, que será ótimo para os dois países e acho que o vamos fazer muito, muito rapidamente”.

Theresa May revelou ainda que Trump não foi o único líder mundial a demonstrar uma “forte vontade” de estabelecer “novas e ambiciosas relações comerciais bilaterais” com o Reino Unido.

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