O encontro entre o Presidente francês e o primeiro-ministro, esta sexta-feira, em Paris, coincide com uma conjuntura em que a França atingiu a primeira posição como mercado gerador de receitas para a hotelaria portuguesa.

Entre os principais indicadores económicos referentes às relações luso-francesas – e que poderão ser objeto de breve análise durante o almoço de trabalho entre Emmanuel Macron e António Costa, no Palácio do Eliseu -, está o facto de Portugal ser atualmente o quarto destino turístico para os franceses.

De acordo com dados fornecidos à agência Lusa pelo executivo português, entre 2013/2016, o número de turistas franceses passou de cerca de 800 mil para mais de dois milhões.

Em 2016, Portugal foi o destino que mais cresceu em termos de vendas nas agências de viagem em França. França constitui ainda o primeiro mercado gerador de receitas para a hotelaria portuguesa, tendo crescido 18% em 2016, atingindo os 2,277 milhões de euros, à frente do Reino Unido, Espanha e Alemanha”, refere-se no mesmo texto do Governo de Lisboa.

Paralelamente ao número de turistas, as entidades oficiais portuguesas têm registado um aumento ao nível da aquisição de imobiliário em Lisboa, Porto e Algarve por parte de cidadãos franceses, que, na sua maioria, solicitam o estatuto de residente não habitual.

Há um número crescente de cidadãos franceses que investem no mercado imobiliário em Portugal, representando 25% dos investidores internacionais neste setor. Em 2016, os franceses lideraram a lista dos estrangeiros que mais propriedades compraram em Portugal, tendo ultrapassado os chineses e os britânicos”, salienta-se no mesmo texto fornecido pelo executivo português.

No plano comercial, segundo dados do Governo, em 2016, a França foi o segundo cliente de Portugal e o terceiro fornecedor de bens e serviços, sendo ainda um dos principais investidores estrangeiros no país.

Das exportações nacionais, destaca-se a diversidade de setores (automóvel, mobiliário, agroalimentar, máquinas, material elétrico, vestuário, calçado, materiais de construção, viagens e turismo e transportes), constituindo o mercado francês o primeiro destino de exportação para alguns destes mesmos setores.

Também o investimento francês em Portugal se destaca pela variedade, abrangendo desde os mais tradicionais aos tecnológicos, como o aeronáutico e o automóvel, passando pelas startups.

Portugal, segundo o Governo, “tem assistido a um crescente investimento direto francês em quase todas as áreas de atividade económica”.

No sentido oposto, a França é o décimo mercado de destino do investimento direto português no exterior, cerca de 5,4%, tendo atingido os 988 milhões de euros em 2016.

“Estimam-se mais de 350 empresas nacionais com investimento direto naquele país, empregando cerca de 2400 pessoas. Para além de grandes empresas, como o Grupo Amorim, Novadelta, Frulact, Logoplast, Inapa, Renova, Simoldes, Visabeira, EDP Renováveis, ou a banca (com destaque para a Caixa Geral de Depósitos), muitas outras pequenas e médias empresas estão presentes no mercado francês, casos da construção e obras públicas, equipamentos metálicos, bens alimentares e bebidas, vestuário, bijuteria, mobiliário e restauração”, acrescenta o executivo.