Notícia atualizada às 22h20 com as novas revelações avançadas pelo El País com a identidade de todos os suspeitos.

Dois dias depois da tragédia em Barcelona e na cidade costeira de Cambrils, ainda prossegue a caça ao homem que conduzia a carrinha que atropelou centenas de pessoas em Las Ramblas. Tudo aponta para que se trate de Younes Abouyaaqoub, um cidadão marroquino de 22 anos, que terá conseguido escapar durante a operação policial levada a cabo em Cambrils. Aboyaaqoub está a ser encarado como uma figura central deste movimento terrorista organizado.

Dos 12 elementos que a polícia acredita compor a célula terrorista, cinco foram abatidos na operação em Cambrils, dois morreram na explosão por acumulação de gás butano, quatro foram detidos e um continua a monte. Pelo menos um — o governo catalão realçou este sábado que ainda há buscas para encontrar “duas ou três pessoas”. Quem são eles e qual o seu paradeiro?

Entretanto, o El País revelou a identidade de todos os suspeitos e ainda acrescentou a informação de que foram encontrados, na casa de Alcanar, vestígios de três pessoas. Ao mesmo tempo, revelou que estão neste momento desaparecidos ou em fuga três suspeitos: Younes Abouyaaqoub (o presumível condutor da carrinha em Barcelona), Abdelbaki Es Satty (o imã de Ripoll) e ainda Youssef Aalla (que viajou para Zurique no ano passado com Mohamed Hichamy, um dos abatidos em Cambrils).

Face a estas novas revelações, uma das novas hipóteses levantadas é a de que os vestígios humanos encontrados em Alcanar correspondam aos três indivíduos que estão desaparecidos, o que significaria que, afinal, pode não estar ninguém em fuga.

Younes Abouyaaqoub

É o presumível condutor da carrinha que invadiu as Ramblas e atropelou indiscriminadamente quem lá se encontrava, matando pelo menos 13 pessoas e ferindo mais de 100. Nascido em Mrirt, é marroquinho e tem 22 anos. Está no centro da investigação policial, acreditando-se que seja o chefe da célula terrorista responsável pelo ataque.

Apesar de o homem-chave ainda continuar em local incerto, o governo espanhol decidiu esta quarta-feira manter o alerta de terrorismo no nível 4 (em 5), declarando que não havia mais ataques iminentes. O ministro do Interior espanhol chegou mesmo a dizer, durante a conferência de imprensa em que declarava a manutenção do nível de alerta, que a célula terrorista tinha sido desmantelada, mas nem a polícia catalã nem a Generalitat concordaram com a avaliação.

Joaquim Forn, responsável pelo ministério do Interior no executivo da região autónoma da Catalunha, deixou claro este sábado que “não se pode dizer que a célula esteja desmantelada”. “O que aconteceu em Cambrils permite garantir que houve um golpe muito forte nesta célula, mas neste momento não se pode dizer que está desmantelada”, disse. O governante catalão acrescentou mesmo que “até se saber do paradeiro de todas as pessoas que compõem a célula não se pode dar por desmantelada”. Segundo o conselheiro para o Interior do governo regional da Catalunha, a polícia ainda está em buscas para encontrar “duas ou três” pessoas alegadamente ligadas aos ataques.

Os suspeitos abatidos: Moussa Oukabir, Mohamed Hychami, Said Aallaa, El Houssaine Abouyaaquob e Omar Hychami

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Foram cinco os suspeitos abatidos pela polícia junto ao passeio marítimo da estância balnear de Cambrils, depois de terem ensaiado um segundo atropelamento massivo, desta vez com um Audi A3. Feriram sete pessoas, e mataram uma. Depois foram contra a polícia.

Eram eles: Moussa Oukabir (17 anos), de Ripoll mas de nacionalidade marroquina, era o irmão mais novo de Driss Oukabir, que se entregou à polícia declarando-se inocente depois de as autoridades terem encontrado os seus documentos na carrinha responsável pelo ataque. A tese com mais peso é que Moussa roubou a identificação ao irmão. Inicialmente pensava-se que Moussa era o condutor da carrinha, mas confirmou-se depois que estava entre os cinco abatidos em Cambrils.

Os restantes são Omar Hychami (21 anos), Mohamed Hychami (24 anos), El Houssaine Abouyaaquob (19 anos) e Said Aallaa (19 anos), também marroquinos e com ligações a Younes Abouyaaqoub

Foram encontrados explosivos no carro, assim como facas. Quatro deles foram abatidos pela polícia ainda no veículo, sendo que um deles conseguiu saiu e feriu peões com uma faca antes de ser neutralizado.

Alcanar: encontrados vestígios mortais de três pessoas

Tudo começou, contudo, em Alcanar, a cerca de 200 quilómetros de Barcelona, onde na quarta-feira à noite decorreu uma explosão num edifício por acumulação de gás. Três pessoas — inquilinos da casa — morreram na sequência da explosão, que inicialmente se pensou ser acidental. Mais tarde, a polícia encontrou documentos de um dos inquilinos desta casa numa das carrinhas utilizadas no ataque, o que fez com que ganhasse força a tese de que os inquilinos de Alcanar estavam a preparar um ataque em Barcelona com recurso a explosivos.

Não foi conhecida a identidade dos tais inquilinos mortos na explosão acidental, mas este sábado as autoridades espanholas fizeram buscas na residência de um imã de Ripoll que suspeitam ter estado envolvido na preparação dos dois ataques em Barcelona e em Cambrils. Trata-se de Abdelbaki Es Satty, que terá sido um dos que morreu na explosão acidental na moradia da cidade de Alcanar. O imã liderou a mesquita de Ripoll durante cerca de dois anos, mas terá deixado de exercer há dois meses.

Contudo, falta ainda confirmar a identidade das três pessoas cujos vestígios forenses foram encontrados nesta casa. Além de Abdelbaki Es Satty, poderá tratar-se também de Youssef Aalla e até de Younes Abouyaaqoub, que afinal poderá não estar em fuga.

Os quatro detidos: Driss Oukabir, Sahal el-Karib, Mohamed Aallaa e Mohamed Houli Chemlal

Ao longo de toda a investigação foram detidos quatro suspeitos: três marroquinos e um espanhol, com idades entre os 21 e os 34 anos. O primeiro detido foi Driss Oukabir, irmão de Moussa (morto em Cambrils), que se entregou depois de os seus documentos de identificação terem sido encontrados numa das carrinhas envolvidas no atentado.

Outros dois, também marroquinos detidos também em Ripoll (como Driss) são Sahal el-Karib, Mohamed Aallaa.

Além destes dois, há também registo da detenção de Mohamed Houli Chemlal na quarta-feira, na sequência da explosão na casa de Alcanar. Chemlal foi detido por possível manipulação de explosivos.

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